Celulares não são permitidos

Eu sabia que esse dia iria chegar, mas fui surpreendida por sua brevidade: João, 7 anos, me pediu um celular. Um celular não, um iPhone 5. O pedido veio assim, como quem não quer nada, entre um comentário e outro sobre o campeonato brasileiro.

A minha primeira reação foi tentar entender o que ele faria com um celular e porque acreditava que precisava de um. Os argumentos, obviamente, não eram sólidos. Ele falava em joguinhos, uma necessidade de me encontrar em caso de emergência, ou se ele fosse na padaria e não encontrasse presunto, poderia me ligar para resolver a questão.

Segui contra argumentando afirmando que celular não é coisa de criança. E que um iPhone é muito caro. Ele perguntou se poderia juntar o próprio dinheiro para comprar um e eu continuei firme dizendo que não, nem com o dinheiro dele ele teria um iPhone. E que isso era uma questão de crença: eu não acredito que criança nenhuma precise de um telefone.

Chegamos no x da questão quando ele soltou que um amigo da escola DISSE que ganharia um celular de dia das crianças.

Lembrei a ele que aqui em casa não se ganha presente no dia das crianças - se doa, ou no máximo, se troca. E que ele poderia dizer isso aos amigos. Poderia propor de fazer isso na escola. Falei que se a mãe do amiguinho quer dar esse presente ao filho, ela não é mais legal ou menos legal do que eu. A gente só tem crenças diferentes e isso precisa ser respeitado.

Ensinar que ser é mais importante do que ter leva uma vida toda. E vai ter sempre alguém para dizer o contrário. Sigo no meu mantra esperando que meus filhos entendam o que eu digo.#nodramamom