A dignidade usa rímel

Sempre que chego na escola para deixar as crianças, uma avó fofucha que leva o neto trava comigo o mesmo diálogo:

- Nossa, você tem três, né, minha filha?

Mesmo tendo respondido a essa pergunta outras vezes, sorrio e digo:

- Tenho sim.

E ela continua falando que sou corajosa, que eles são lindos, que a pequenininha parece uma boneca e conclui:

- E você ainda se arruma!

É. Eu me arrumo. Adoro me arrumar. Difícil é o dia que saio de casa sem um corretivo, rímel e blush. Decidi que seria assim e que teria tempo para isso. São exatos 5 minutos que me deixam com uma cara muito melhor, menos amassada. Também não deixo a unha feia por nada nesse mundo e bato ponto na manicure toda semana. Esse são meus pequenos prazeres, aquilo que faz eu sentir que estou me cuidando – o mínimo que seja. Ainda não encontrei tempo para a ginástica. Poderia acordar às 5:30 e malhar por uma hora tranquilamente, mas não, obrigada. Estou numa fase em que dormir é prioridade e ter bunda dura, não.

Sei muito bem que a maternidade nos joga num labirinto confortável, onde é absolutamente permitido ficar largada de pijama o dia inteiro, mas percebi que quanto antes a gente volta desse lugar, mas fácil fica de ir organizando os sentimentos, a vida, a cabeça mesmo.

Lembro de quando João nasceu eu não sabia se tomava banho, dormia ou comia. Era tudo muito intenso e eu queria ficar acordada, estar presente, alerta. Até que fui perdendo minhas forças e entendi que precisava dividir a bola e respirar, me cuidar, me resgatar. É isso. Se cuidar é um resgate, importante e necessário. Vou passar um batom, pera. #nodramamom