Meu novo lugar

Estive em São Paulo semana passada e me peguei falando para uma conhecida sobre as diferenças de morar em uma cidade menor. Contei animada sobre a floresta atrás de casa, o galinheiro que vamos construir e a horta que estamos plantando. Falava sobre ser mais simples e (re) aprender a dar valor a tudo isso.

Ela olhava pra mim, um tanto incrédula. Devia estar pensando que eu estava beirado a loucura, uma coitada. O olhar dela estava longe, muito distante de tudo o que eu estava falando. Aquilo não fazia sentido nenhum para aquela moça.

Fiquei pensando nessa cena por um tempo e entendi que a minha busca não precisa ser validada por ninguém. Ninguém precisa achar legal ter uma vida mais simples, deixar de frequentar o shopping, galerias e exposições. Ninguém precisa achar legal ter um galinheiro em casa e pode preferir pegar o carro para ir até o novo orgânico da Vila Madalena. Tá tudo bem. Mesmo. Eu entendo e até concordo que parece muito louco largar tudo.

Mas preciso confessar que tenho um puta orgulho dessa minha escolha e não canso de agradecer pelo privilégio de todos os dias abrir a janela e olhar para essas árvores. De ver as meninas assim, livres num espaço que é delas. Olho para tudo isso e sinto que a vida delas se transformou em uma grande colônia de férias. Para uma infância isso não é nada mal, né? #nodramamom