O melhor da copa

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João está acompanhando os jogos da Copa de todas as formas possíveis: volta da escola ouvindo a partida no rádio, assiste pela tv (até durante o almoço, o que só é permitido em épocas assim) e claro, através dos sites esportivos. E aí, entre as manchetes com os placares e o estado do tornozelo do Neymar, ele viu a notícia sobre os brasileiros que assediaram a russa. Assustado com a palavra assédio, ele veio me perguntar o que exatamente tinha acontecido.

- Quatro homens acharam que seria divertido falar da cor da buceta da moça e ficaram gritando isso bem alto. Você sabe o que é buceta?

- Sei.

- Pronto. Foi isso. Isso não é engraçado, não é brincadeira. Isso é constragendor, é uma forma de assediar uma mulher. Isso não se faz, filho.

- E como esses caras vão ser punidos?

- Não sei se serão, filho. Infelizmente, as mulheres não estão protegidas por leis claras em relação a esse tipo de coisa.

- Mas isso faz com que eles achem que podem fazer esse tipo de coisa.

- É. Exatamente isso que acontece. Eles acham que podem fazer e que tá tudo bem.

A conversa terminou com ele pensativo. Depois ele voltou.

- Mãe, como faz para que os homens não façam essas coisas com as mulheres?

- Acho que esse tipo de conversa entre mãe e filho já é um bom começo, meu amor.

Não poupem seus filhos e filhas de verdades. Não subjuguem as informações que eles acessam. Dialoguem, se mostrem disponíveis. Tragam esses assuntos para a mesa do jantar, por mais indigestos que sejam. Respeito ao outro precisa estar na nossa pauta diária. É assim que a gente muda o mundo.

(Foto de 2014. João e Tomé, em São Paulo. <3)

Tecnologia do simples

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Nenhuma mãe ou pai escolhe deliberadamente fazer mal aos seus filhos. Encontramos justificativas para todas as nossas ações, sempre embasadas na vontade de fazer o melhor, de ensinar, de estimular. É assim quando castigamos uma criança, batemos, gritamos ou, damos um tablet para elas brincarem. Fechamos os olhos para aquilo que nos convém e seguimos míopes, rumo a um futuro sobre o qual nada sabemos e nem podemos prever. No entanto, nóticias de um mundo ao contrário surgem diariamente. Ontem li um texto do pediatra Dr. Elzo Garcia Jr. que trazia números assustadores sobre pesquisas feitas nos últimos 15 anos. As estatísticas apontam um aumento de 43% no TDAH, um aumento de 37% na depressão adolescente, um aumento de 200% na taxa de suicídio em crianças de 10 a 14 anos. Estamos falando de uma epidemia nada silenciosa, alimentada por uma dificuldade enorme de frustrar as crianças. Entendo que as causas para esses números não são simples ou pontuais, mas a gente precisa se sentir responsável por isso de alguma forma. E precisa conversar sobre essas questões sem apontar dedos ou gerar culpa.

Eu entendo o celular (tv, tablet, videogame) como recurso para um momento de descanso, mas aprecie com moderação. Se informe, não com a sua prima que dá o smartphone de última geração para o bebê de um ano - acreditando nos estímulos daquela luz azul como sendo o melhor caminho para um filho brilhante. Busque uma fonte um pouco mais segura. Seja o limite que seu filho precisa, não troque nenhuma oportunidade de diálogo por 15 minutos de silêncio, por mais necessário que isso seja. Pense em quanto do seu tempo você investe COM o seu filho. Esqueça os cálculos da poupança, da previdência. Não é desse investimento que estou falando. Falo do tempo de olhar no olho, de brincar junto, desenhar, cavar buraco, tomar banho de bacia, balançar na rede. Acredite: a simplicidade ainda é a coisa mais facinante para uma criança e não há nenhuma tecnologia maior do que nossa capacidade de abraçar e demonstrar afeto. #parentalidadepositiva #parentalidadeconsciente #equilibrioparental

Encorajar

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Depois de quase um ano dando todas as desculpas possíveis para evitar um corte de cabelo à la Neymar e sua turma, consegui convercer João a deixar o cabelo crescer, só um pouquinho, como ele fazia questão de dizer. Claro que quando os fios começaram a balançar, ele gostou do que viu e passou a curtir o processo. Nota importante: se existe um pré-adolescente mais querido no centro-oeste, eu desconheço. João, a cada dia, me surpreende com sua inteligência, doçura e perspicácia. É um menino questionador e com sérias dificuldades de assimilar o não, o que eu acho particularmente bom, apesar de cansativo.

Voltando ao cabelo, João entendeu que durante as aulas não dava para deixar o charme atrapalhar a visão do quadro e que era preciso dar um jeito de prender a franja. Como quem não quer nada, pediu uma faxinha, uma tiara e uns elásticos, para ver o que ficava melhor. Fizemos juntos um meio coque, meio rabo de cavalo. Ele foi no banheiro, olhou, sorriu, deu aquela viradinha básica para conferir por diferentes ângulos. Teresa entrou e mandou: Joãozinho, você tá lindo! E eu só pude concordar. Mas logo em seguida, ele desfez o penteado e disse que achava melhor não ir com o cabelo preso para a escola.

Respirei fundo.

- Por que você não quer ir com o elástico? Ficou super bom!

- Acho melhor não, mãe.

- Você acha que alguém vai rir de você?

- Os meninos do quinto ano com certeza vão rir e falar qualquer coisa.

- Tá certo, filho. Você pode usar o cabelo preso em casa, até se acostumar, até se sentir bem seguro, pronto para encarar quem quiser rir de você. Mas ó...Você sabe que não tem motivo nenhum para ninguém rir, né?

- Sei! Claro que sei. Mas tem muita criança que acha graça em diminuir o outro.

- Tá. Vem aqui, me dá um abraço e escova os dentes, que já estamos atrasados.

Eu sei que nem sempre a gente sabe o que se passa na hora do recreio na escola dos nossos filhos. Sei que muitas vezes, a gente acredita que eles jamais fariam uma coisa dessas. Mas a certeza pode nos cegar e diálogo nunca é demais. Precisamos conversar sobre valores com eles. Contar o que está acontecendo com o mundo, sem firulas. Explicar a situação política do país para que ele não seja o adulto que diz que não entende de política ou que não está interessado. Não devemos diferenciar o comportamento entre meninos e meninas, os fortes e as frágeis. Tratemos eles de forma igual. E principalemnte: não os defenda de tudo e todos. É preciso assumir responsabilidades diante de situações adversas. É isso que pode trazer alguma mudança de comportamento. Precisamos entender o que eles acham importante, quem eles acham importante. Não podemos cansar de conhecer e de cuidar dos nossos filhos e precisamos entender que essa missão dura a vida toda. Quanto a João, sigo respeitando seu tempo de desabrochar e encarar o mundo com todas as suas crueldades, me colocando à disposição para ser escudo, espada ou colo. Sigo também observando seus movimentos para saber quando posso dizer: vai lá, você dá conta ou não, tá tudo bem não dar conta agora.

Escolha

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Na sexta-feira recebi a newsletter da Magda (@theboss_mumstheboss) e fui tomada por uma inquietação. O texto é o primeiro de uma série de 5 capítulos sobre competências sociais importantes de serem ensinadas as crianças e no topo dessa lista está a capacidade de fazer escolhas.

Fazer escolhas é conseguir gerir a própria vida e ser responsável pelo que desejamos. A possibilidade de escolher traz sentimentos de autonomia e liberdade, além de promover um senso de auto-controle. Mas diante de um mundo com tantas oportunidades, nós adultos, achamos essa missão dificílima. E a consequência disso é a nossa incapacidade de tomar decisões. Nos amedrontamos, encolhemos, não arriscamos. Quando temos diante de nós um sem fim de caminhos, tememos não fazer a escolha certa, errar.

Olhando para as crianças, será que a gente permite elas experimentem suas escolhas? Será que autorizamos o risco de errar ? Sinto que nossa vontade de execer o controle sobre os resultados na vida de nossos filhos podem nos trazer grandes problemas, muito em breve. Quando resolvemos os conflitos dos nossos filhos com os amigos, quando usamos o grupo de mães do whatsapp para saber a lição de casa que a criança esqueceu de anotar, quando nos colocamos na frente para proteger da queda, a gente impede que eles batam asas. E isso mata qualquer passarinho.

Ensinar sobre escolher é ensinar sobre querer. O que a gente quer? Pelo que nutrimos desejos? Quando a gente sabe o que quer, o que nos move, tomar decisão é algo natural, mais fácil. E isso não significa não sofrer nesse processo, mas significa estar consciente do que nos faz atingir nossos objetivos.

É difícil demais. Tanto que chega a doer. Mas com os filho a gente tem a oportunidade de ensinar o que não sabemos e dar a eles a chance de serem infinitamente mais inteiros do que nós. #parentalidadepositiva #equilibrioparental

 

Qual o seu medo?

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O que rege o pensamento sobre não dar colo a um bebê de colo?

Tenho convicção que o sentimento que orienta essa crença é o medo. E medo não é algo certo ou errado, preto ou branco. Medo apenas é.

Essa semana ouvi de canto de orelha, uma conversa no vestiário da academia. A mãe, comentava orgulhosa que não pegava seu bebê no colo quando ela notava que era manha. Na sua crença, aquele bebê estava aprendendo desde de (muito) cedo, que as pessoas não estariam ali para atendê-lo quando ele precisasse e que era necessário se virar.

Essa mãe não é má e você, que dá colo o tempo todo, não é boa. Não existe isso. O que existe são as nossas verdades, construídas com base no nosso repertório. Essa mãe acredita que está fazendo o melhor, que está tomando a decisão mais acertada pra formar um adulto forte, independente.

Quando nos tornamos pais e mães, tudo o que temos é nossa própria história e as lembranças de uma criação, sob a qual fazemos um julgamento. Diante de um filho, temos a possibilidade de refazer o caminho dos nossos pais ou trilhar algo novo, mas para isso, é fundamental se colocar no lugar de aprendiz, de ignorante, de quem deseja aprender o tempo todo, durante todo o percursso. Mas quem está aprendendo pode ensinar? Como ser a figura de autoridade que a criança precisa, se eu assumo que não sei o que fazer? A resposta é simples: é preciso confiar no tempo. Um bebê de colo precisa de colo. Uma criança pequena precisa de atenção. Um adolescente precisa ser ouvido. Em cada etapa um milhão de novas coisas são aprendidas, nem antes e nem depois. Crescer é processo.

 

Bom dia!

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Joaquim acordou às 5 da manhã querendo muito viver. Eu, ao contrário, não estava tão pronta assim e tentei enrolar na rede durante um tempo. Mas as horas parecem ter pressa e logo o sol começou a se espreguiçar. O céu cor de rosa me fez sorrir. Teresa chegou, assanhada e amassada. Joaquim e ela deram início a brincadeira e eu precisava começar a preparar o café da manhã e as lancheiras.

Perâ com chips de batata doce x 3. Tapioca de queijo e presuto x 2 + tapioca só de queijo para João, que não come presunto. Fruta cortada nos potes x 3. Iogurte natural com mel x 2, porque Irene não gosta de iogurte. Café para mim, porque eu não sou de ferro. Troco de roupa porque tem que levar as meninas até a sala de aula e ainda não está autorizado fazer isso de pijama, ajuda as menores a colocar a meia, olha as mochilas ( eles arrumam!), faz um penteado, tudo isso com joaquim no colo, porque ele cansou de brincar e lembrou que é bebê.

Na mesa, João diz que a tapioca não está boa e aí, nessa hora, vem passando o combo do sono + cansaço+ frustração e eu, quase choro. A maturidade me dá tchau da porta, vai embora e eu fico ali, precisando digerir os meus sentimentos. Uma bobagem, bem pequena, mas que poderia se transformar em turbulência de fazer cairem máscaras de oxigênio do teto.

Demonstro ressentimento, faço bico. Poxa filho...

Mas o cara não gostou.

Respiro fundo.

Ele vem, chega junto, me dá um beijo e pede desculpas.

Ele pede desculpas por não ter gostado de uma tapioca que eu fiz. Nessa hora eu lembro de um detalhe: eu sou a adulta da relação.

Abraço ele de volta e digo que não tem que se desculpar. Pergunto se a gente pode fazer juntos um pão na chapa. Vamos rápido, por conta da hora. Eu abro o pão, passo manteiga e ele fica na frigideira amassando até chegar no ponto certo do tostado.

Vai ter que comer no carro, porque já estamos atrasados.

Vamos?

E se der certo?

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É fácil focar na sua meta quando você está animada com algum novo projeto ou ideia. Perdemos o sono com as possibilidades e os caminhos incríveis que se apresentam, mas aí, vem a nossa própria vida e nos atropela. O foco passa a competir com o cotidiano e essa briga parece injusta. É filho que adoece, é o dia da vacina, é a churrasco do final de semana, é a exposição que inaugurou, é a segunda temporada daquela série incrível. Parece que os motivos para se perder são mais atraentes do que os para se achar e em tempos de mulheres multi-task, a gente vai deixando o que realmente importa de lado e abrimos espaço para todas as outras coisas. Guardamos aquele sonho, aquele projeto. Engavetamos para um outro momento e passamos de altamente empolgadas para "não tenho tempo".

Aprendi recentemente que não existem prioridades. Se tá no plural, já não serve. Prioridade a gente só tem uma e por ela, devemos ir até o final. Se você quer muito uma coisa, espalha lembrentes pela casa toda. Cola no espelho do banheiro, no descanso da tela do computador, na porta da geladeira. Pode ser qualquer coisa que você quiser: das mais grandiosas como um mestrado (eu piro em mães acadêmicas) até as mais simples como os benditos 5 km na corrida. Não importa. Se for o seu sonho, você é a responsável por ele. Só você e mais ninguém. Como segunda é dia de recomeço, te encorajo a ser prioridade para você mesmo. Te encorajo a abrir espaço para os seus sonhos e não ter vergonha ou medo deles. O máximo que pode acontecer é tudo dar certo.

Pequenos criativos

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Escuto sempre que meus filhos são muito criativos e acho engraçado. Primeiro porque os adultos colocam a criatividade nesse lugar meio mágico, meio artístico e inacessível. Para ser criativo precisa ter desenvoltura diante das câmeras, precisa não ter vergonha nas apresentações, precisa ter uma coisa, um tcham, um borogodó. Os pais buscam desenvolver essa característica, colocando os pequenos em aulas de arte, teatro, música. Mas na hora que a criança responde a um comando de forma diferente, na hora em que a criança encontra outros caminhos para aquilo que é mais convecional, os pais se assustam, refutam, inibem, dizem não. E assim, aos poucos, vão matando a criatividade que nasce em cada um de nós.

Estimular a critividade passa justamente por dar liberdade, por permitir, autorizar. Passa por não ter medo, por fantasiar. Passa pelo respeito as ideias dos pequenos, passa por apoiar decisões diferentes, incomuns. Passa por permitir o erro, o questionamento e por aceitar que nossos filhos conseguem encontrar caminhos e respostas que não são as nossas. E isso é ótimo.

Coragem para ser

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Eu tenho medo de poucas coisas. Poucas mesmo. Durante minha ida para Portugal, tive um rápido medo do avião cair. Pensei, em fração de segundos, que iria morrer e imendei no pensamento de: que merda não ver meus filhos crescerem, mas poxa...ainda bem que eles têm Peu. E isso acalmou meu coração e consequentemente o vôo, que seguiu tranquilo até o destino. Deus me livre de morrer, mas não pela morte e sim pelo que vou deixar de viver. Tenho muita vida dentro de mim. E é esse tanto de vida que se manisfesta aqui no peito, que me dá coragem.

Minha mãe, dona da razão que me falta muitas vezes, tem sempre uma palavra de ponderação importante, mas que nunca me parou. Acho que boas mães servem para isso. Seguir em frente faz parte do combo da coragem. Desfazer de tudo, comprar usado, recomeçar, ter filhos não planejados, viver o amor nas suas dores e delícias, largar emprego, estudar uma nova profissão, mudar, sempre e constantemente. Medo de que? Que certezas são essas que nos amarram? Não existem certezas. Somos nós quem nos acorrentamos ao nada, na esperança de achar que podemos saber de alguma coisa. Não sabemos. Diante disso, precisamos arriscar, se jogar, sentir frio na barriga. Sigo sem muitas certezas, mas com uma vontade imensa de ver a vida acontecer naqueles pequenos detalhes incríveis. Bom dia, boa semana. <3

 

Trabalho

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Tenho 10 anos de internet (quem aí é dessa época? Blog Amei! <3) e nesse tempo, fui encontrando o meu jeito de expor, de dividir, de contar histórias e também de trabalhar. Já fiz publicidade, já recebi jabá e hoje ainda chega aqui e ali um presente para mim ou para as crianças. É gostoso, divertido e muitas vezes surpreendente. Mas o Instagram não é o meu lugar de trabalho. Por aqui, vocês conseguem ver uma fração do meu dia e de algumas coisas que faço, mas tenho percebido, cada vez com mais clareza, que esse quadradinho me serve para outras coisas. Serve para que vocês leiam meus textos, se identifiquem, se aproximem, mandem direct, falem comigo. Serve para vocês verem que não estamos sós em nossas batalhas e que filhos são a parada mais louca e difícil do planeta. Serve para que eu fale do que eu faço. Mas trabalho mesmo é do lado de fora, quando reúno mães, pais e profissionais que lidam com crianças e falo sobre parentalidade. Trabalho é quando subo em um palco para falar com pessoas, contar minha trajetória e minhas crenças. Trabalho acontece quando atendo uma família online e mesmo virtualmente a gente consegue ver juntos, caminhos mais leves e equilibrados. Isso aqui é só uma fração, ora com filtros, ora não.

 

(im)Perfeita

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Eu não quero te ensinar a dar limites a seus filhos. Quero te questionar sobre quais são os seus limites e suas crenças. Eu não quero te dar ferramentas para acabar com birra do seu filho, mas quero falar sobre como você se sente quando perde o controle. Eu não tenho receita de sucesso para criar filhos felizes, mas quero conversar com você sobre o que te deixa feliz e como você vai ensinar isso aos seus.

Cada família tem uma dinâmica própria e cada criança é um ser único. Sério mesmo que você acredita que as respostas para os seus problemas serão resolvidos em 5 passos? Não serão. Aquele livro incrível e super recomendado, a guru da montanha, a coach de mães (acho esse termo engraçado) e a própria disciplina disciplina positiva, são apenas ferramentas, caminhos. Entendo que muitas vezes precisamos de alguém que pegue na nossa mão e nos oriente, eu inclusive, estou aqui para isso <3, mas nada muda se a gente não muda. A tal da transformação, só acontece quando a gente se permite. Quando a gente troca a culpa pela responsabilidade, quando a gente se dedica, quando a gente se questiona. E sabe o que é mais louco disso tudo? É que ainda assim, não há garantias. Você precisa fazer ou buscar essa mudança, por você, mesmo diante da possibilidade da imperfeição: a sua e a de seu filho.

A garantia é você.

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A promessa de uma vida leve, onde pássaros nos despertam pela manhã, saudamos o sol com ássanas de yoga, tomamos um café da manhã com a dose certa de caboidratos e frutas da estação, nos sentimos motivadas apenas pela presença do sol lá fora e os desafios são sempre resolvidos com muito diálogo só existe no instagram ao lado. A vida real é caótica, é dura e nos faz, o tempo todo, questionar nossas mais profundas certezas. Quando temos filhos, a situação complica um "cadinho" mais por uma simples questão matemática: se cuidar de um é difícil, cuidar de dois não poderia ser mais fácil, correto? No entanto, atenção para algo importante: pais e mães não são pessoas melhores por encararem esse desafio. Até porque, em muitos casos, nos tornamos nossa pior versão diante de seres tão pequenos ao jogarmos neles nossas frustrações e incapacidades. E é aí onde eu quero chegar.

Crianças são a ponta mais frágil da relação. Sempre. A hierarquia da vida nos coloca numa posição de destaque, é verdade, mas a conquista do respeito, da cooperação e a criação de vínculo com essa ponta frágil, precisa ser estabelecida de uma outra forma, que não através do grito, da imposição, do castigo, porque (atenção, contém spoiler), isso não funciona. E você que está lendo isso e já se arma para me dizer que "você recebeu castigo e palmada e está aqui, tranquilo vivendo a sua vida", eu te devolvo: é essa a relação que você quer ter com seu filho? A gente precisa se melhorar como gente e o melhor jeito, o mais eficiente, vai ser através das nossas crianças. #parentalidadepositiva #equilibrioparental

 

Dicas práticas para uma vida caótica

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Na era da felicidade a qualquer preço, nossos lutos, dores e tristezas não cabem em lugar nenhum, nem mesmo dentro da gente. Não pode sofrer. Não pode chorar. É preciso ter ideias brilhantes e acima de tudo, ter coragem.

A sua felicidade depende de você. Mas a felicidade do seu filho também. E a capacidade dele ser um adulto exemplar, claro que está na sua conta. Se a sua mãe estiver doente, se seu marido for um bosta, se o seu trabalho não for exatamente o que você queria, se você não tem dinheiro, se você não tem um parceiro, tudo, absolutamente tudo, parece ser inteiramente de sua responsabilidade.

Desculpem, mas assim não tem quem aguente.

Claro que vamos assumindo culpas alheias com a mesma facilidade que pagamos academia e faltamos, mas calma lá. São muitos processos, muitos passos a serem dados para a tal vida mais leve. E se você está se sentindo sufocada, eu te digo: tá tudo bem se sentir assim, sabe por que? Porque tá foda mesmo. Tá foda para todo mundo.

Mas e aí? Diante dessa bagunça emocional, dessa descrença geral, por onde (re) começar?

Não sou coach da vida alheia e nem especialista em sofrimento humano, mas estou aqui, assim como você, numa tentativa árdua para levar uma vida com mais sentido. E nessa minha busca, algumas coisas foram e são muito importantes. E a primeira delas é simples como brisa.

Respire. Longamente, sem pressa. Respire mais uma vez. Respirar da forma correta permite que o corpo entenda que não está em perigo e isso faz com que as ideias fiquem mais claras.

A segunda coisa é sobre nossa capacidade de pensar coisas ruins. Inverta essa energia e entenda que te toma o mesmo tempo se você decidir pensar algo bom. Quando sua cabeça começar a dar passos galopantes em direção a desgraças e fatalidades, pare, respire e recomece a pensar coisas boas. "E se der certo?" é algo poderoso.

A terceira e última coisa é sobre suas culpas. Não dá para assumir responsabilidade por todos que te cercam. Escolha pelo que você vai sofrer e observe a real dimensão que esse sentimento tem.

Tá, mas o que isso tem a ver com criação de filhos e disciplina positiva, assunto desse instagram aqui? Tem tudo a ver. Nós precisamos buscar o nosso equilibrio antes de querer que nossos filhos tenham um comportamento sencaional. Nós precisamos entender que sentir faz parte de ser e que se a gente não se autoriza a isso, vamos calar também nossos filhos. Amor com a gente primeiro para depois amar os nossos.

Para (re) começar

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A maternidade é um troço tão poderoso e forte e transformador que muitas vezes arrasta a mulher para um lugar desconhecido. É um estágio de não pertencimento em um momento da vida onde tudo está meio caótico, bagunçado emocionalmente, nublado visualmente. Não somos mais a de antes mas também não sabemos quem desejamos ser. Entamos em simbiose com o bebê, mergulhamos em questões ancestrais, nos perdemos do nosso fio condutor.

Até que um determinado dia, depois de dar de mamar ou depois de mais uma noite sem dormir, a gente olha pela janela e percebe que não está faltando um braço, não está faltando uma perna e que, apesar de tudo, você continua respirando. A nuvem espessa vai se despedindo e os pés voltam a tocar o chão. Você se sente levemente mais segura. É o puerpério chegando ao fim.

Dessa fase você vai lembrar de poucas coisas e eu tenho certeza que se não fosse essa amnésia, a espécie humana não teria chegado até aqui. Mas algumas coisas ainda podem te acompanhar por um tempo. Essa confusão sobre quem sou eu e para onde eu vou por vezes se demoram. O trabalho já não faz mais tanto sentido, os amigos já não fazem mais tanto sentido e as vezes até o casamento já não faz mais tanto sentido. Vem uma necessidade enorme de se reiventar, re-escrever a sua propria história, mas não sabemos nem por onde começar. Eu sei. Já estive nesse lugar. E hoje, pensando sobre meu caminho profissional e minha reinveinção, percebo que quando a gente não sabe o que fazer, o melhor é começar com as nossas certezas, com aquilo que a gente sabe que faz bem, com aquilo que nos fortalece.

A vida como ela é (para mim)

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Como educadora parental eu sinto a responsabilidade de viver aquilo que levo para as minhas reflexões com outros pais no meu trabalho. Sou mãe de quatro crianças e isso, apesar de lindo, inspirador e corajoso (como sempre ouço), é também algo muito próximo do inferno, dependendo do dia. E dependendo do dia deles e do meu, claro. O que me dá 4 chances de quase enlouquecer, fora as combinações de (mau) humor, que parecem uma PG.

E cada vez que as coisas saem do roteiro e a gente se perde entre gritos e brigas, minha cabeça, automaticamente, me para. E por mais exausta que eu esteja, eu busco reorganizar minhas emoções para ajudar as crianças nesse mesmo processo. É intenso.

Tem dias que parece efeito cascata: um começa, aí o outro emenda e quando você acha que está acabando, vem o terceiro e lá vamos nós outra vez entre explicações, conversas, olho no olho, diálogo e claro, um grito ou outro, porque longe de mim, querer ser perfeita. Não é fácil. Mas é o meu caminho. São os meus filhos. E se eu não buscar me melhorar, como posso exigir isso deles? João, Irene, Teresa e Joaquim são pessoas. Indivíduos em formação. Eles são imperfeitos. E o grande barato de ser pai e mãe está justamente em pode exercer a tolerância com o outro, que muitas vezes é diferente de mim, todos os dias, a qualquer instante. No final, entendo, cada vez de forma mais clara, que não é sobre controlar birras ou exigir bom comportamento. É sobre respeitar o tempo das crianças e ir mostrando a direção com muito amor e paciência.

Não tem receita

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Não tem para vender, não dá para pegar, não sabemos a sua cor, muito menos sua forma. Não é lugar aonde se chega, não é rede para deitar, não é o outro. Não tem a ver com dinheiro ou trabalho. Nem filhos. Esse Santo Graal, essa cabeça de bacalhau, não está embalada com uma fita preta na prateleira da farmácia e nem no pote reluzente de purpurina do carnaval. Por isso e só por isso, a gente precisa parar de procurar essa danada. Precisa parar de acreditar que vamos trombar com ela na próxima esquina, basta chegar até essa bendita esquina que nunca chega. Precisamos parar de imaginar como seria quando a gente encontrá-la e viver para alimentar esse momento impossível.

Ela é um tempo. Um piscar de olho. É aqui e agora, é o que temos para hoje, amanhã e depois. A sua não forma nos permite desenhá-la do jeito que quisermos. Por falar nisso, você já desenhou hoje? Vai lá, faz uns rabiscos junto com seu filho depois do trabalho. Tenho certeza que ela vai estar lá nesse pequeno instante.

Felicidade é caminho. É horizonte. Felicidade é música alta ou música baixa, dependendo do seu humor. Humor? Não, você não precisa estar sempre bem humorado para estar feliz! Felicidade é bolo quente e café preto. É um audio que te faz gargalhar, é fazer plano e transformar em meta ou é só sonhar mesmo, que para os dias de hoje, já está de bom tamanho. Felicidade é junto ou sozinho, é grande ou pequena. É nada, é simples. Quem complica somos nós.

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O relógio de dentro e aquilo que não se explica

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O mergulho muitas vezes é tão profundo, que voltar a superfície demora. Demora reencontra-se, demorar fazer sentindo novamente. Sem se dar conta, abrimos mão da nossa identidade e vivemos para nutrir um outro ser. Já não somos mais a de antes e nem temos o agora para ser outra. Vivemos em um tempo paralelo. É difícil de explicar. Porque falando assim, não é exatamente um lugar de conforto, pelo contrário! Existe um desconforto constante, com o qual nos acostumamos, por acreditar que é assim que deve ser. A maternidade é algo revolucionário, transformador mas pode ser profudamente doloroso.

Acontece que tudo na vida é fluido, passageiro, é água corrente. A gente se despende de quem éramos antes para nos (re) conhecermos fortaleza mais adiante. Nada é tão poderoso quanto uma mãe. E se você está nesse momento de desconexão profunda com quem você era, com a vida que você tinha, eu te digo: tenha paciência. A gente é capaz de reescrever nossa história, se reinventar, mas não adianta querer apressar o relógio de dentro. Tudo tem seu tempo. É importante olhar para os ciclos e perceber cada ensinamento escondido por trás de um bebê que sempre pede colo, uma relação entre mãe e filha que ficou fragilizada, um emprego que já não te preenche. As transformações começam dentro e é desse lugar que a gente tira forças, mas por hora, apenas lembre de respirar.

Sobre florescer

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Durante muito tempo (até ontem, na verdade), sempre que alguém me perguntava quais eram meus sonhos, eu respondia algo diretamente relacionando aos meus filhos. Era difícil pensar naquilo que era só meu, mesmo que fosse um sonho. Eu fechava os olhos e logo me vinha à cabeça cenas deles grandes, felizes, realizados, saudáveis. Não havia dissociação entre a minha pessoa e a deles e isso não me causava sofrimento ou angústias. Era algo absolutamente natural pensar assim.

Mas aí, veio o quarto filho. Mais uma gestação, mais um mergulho para dentro. E nessa de mergulhar e me olhar com muita verdade, eu percebi que era hora de me resgatar. A urgência em voltar meu olhar para as minhas necessidades veio junto com Joaquim. Ou eu me colocava em primeiro lugar ou eu afundaria. Era preciso diminuir a culpa, abraçar meus sonhos e trilhar meu caminho para além dos meus filhos. E mesmo diante de 4 crianças e o cenário de caos que isso pode trazer, eu comecei a me movimentar, comecei a abrir mão de estar.

Para mães mais apegadas (oi, tudo bem?) encontrar algo que faça os olhos brilharem tanto quanto ver filho criado é difícil, mas eu precisava deixar ir esse sentimento de que eu seria sempre o que meus filhos precisam. Não serei. Mas desejo ser o lugar, o colo para onde meus filhos desejem sempre voltar.

Conselho

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Se você é mãe ou vai ser, preste atenção ao que eu vou dizer: tenha uma rede de apoio. Mas calma. Esse item não está nas listas de enxoval e nem pode ser encontrada na Alô Bebê. Ele também não aparece num passe de mágica depois que o bebê nasce. Esse item é você quem faz. Com mãos, coração, entrega, confiança. Rede de apoio se tece, é preciso construir, nutrir, cuidar para ser cuidada.

Às vezes, a rede de apoio é pequena, feita de por uma pessoa só. Um marido, uma amiga, uma avó, uma vizinha. É alguém que está presente em pequenos ou grandes detalhes. Lava uma louça, deixa um bolo na portaria, passa um café quentinho.

Às vezes a rede de apoio é virtual e mesmo não conseguido olhar o bebê enquanto você faz cocô sossegada, você pode desabafar e perceber que não está tão só assim. É confortante encontrar voz para suas angústias, mesmo que do outro lado da tela.

Às vezes a rede de apoio é forte, presente, composta de várias mulheres diferentes, com histórias diferentes, maternagens diferentes, mas que em algum ponto vocês são tão parecidas e isso é tão lindo.

A rede de apoio não tem manual sobre como deve agir, quantos integrantes deve ter ou por quanto tempo deve durar. A única coisa certa sobre esse item fundamental da maternidade é que ele precisa ser feito de amor e dedicação. Você é rede de apoio quando você dedica um pouco do seu tempo, do seu colo, do seu olhar ou seus ouvidos para uma outra mãe, sem esperar nada em troca. É bonito, forte e transformador ser mãe ao lado de outras mulheres. Seja rede, tenha rede.

 

Para dentro

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Tenho falado muito sobre autocuidado e a importância da gente se olhar com carinho, com amor, mas sei que esse exercício não é exatamente simples e se hoje eu consigo ter meu tempo é uma conquista. Não é simples por dois motivos. O primeiro é a nossa capacidade de sabotar qualquer coisa que a gente faça para a gente mesma. Nunca temos tempo e nem dinheiro para fazer nada que seja SÓ para gente mesma.

O segundo motivo são as expectativas. Não sei por que, mas quando falamos em autocuidado a nossa cabeça nos leva a desejar coisas impossíveis, distantes ou difíceis diante de uma rotina de trabalho ou de cuidados com os filhos: meditar sob o céu do Atacama, vinho com as amigas todas as noites, viagem com o marido uma vez por mês, uma noite inteira de sono...poder fazer tudo isso é uma delícia e obviamente funciona como aquele momento só seu, mas se isso ainda está longe da sua realidade seja pelo motivo que for, saiba: ainda assim é possível se cuidar.

Quando você lembra de respirar fundo antes de um grito, ou diante de uma situação difícil, ou quando acorda, ou quando está angustiado, isso já é autocuidado. Quando a gente consegue rir de situações tensas, ouvir uma música boa, falar com uma amiga querida, isso já é autocuidado. Quando você entende que certas atitudes são tóxicas e precisam ser repensadas, quando você termina um livro, quando você come algo delicioso. Quando a gente toma um banho demorado, quando sente prazer sozinha ou acompanhada, isso também é autocuidado.

Então, para que a gente consiga apreciar esses pequenos grandes momentos de conexão e cuidado com a gente mesma, é importante colocar as expectativas nos lugares certos.  Não adianta ficar sofrendo porque não tem dinheiro para fazer a viagem dos sonhos e acreditando que tudo que você precisa é de um tempo longe, se você não pode se afastar. O que é possível de ser feito? O que vai te ajudar a recompor as energias? O que vai te trazer para o seu centro e aos poucos transformar o jeito como você se relaciona com as pessoas e com você mesma? Acredite: você tem as respostas e elas estão dentro de você.