Pensamento positivo não enche barriga

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Você chegou até aqui. Tem filhos, morada, emprego. Tem amigos, tem companhia, tem uma conta no instagram onde você posta momentos mais ou menos felizes e mesmo assim, você sente uma inadequação, um vazio, uma solidão que parece te engolir. Tá, pode ser que seu emprego não seja dos mais legais, que sua conta não esteja exatamente em dia e que sua companhia não seja aquela que você sonhava. Mas você é valente e tem lido que é preciso respirar, que tudo vai passar, vai melhorar. Uma hora, tudo vai melhorar. Você não comenta essa “estranheza” com muitas pessoas, porque, afinal de contas, você tem tudo. Fica difícil entender do que você está reclamando. Mais uma vez, você respira fundo e tenta ter os tais pensamentos positivos sobre a vida, sobre as coisas ao seu redor. Tem dias mais fáceis outros mais difíceis. Tem horas em que você acredita que chegou ao seu limite mas para sua surpresa, no dia seguinte existe um recomeço, uma nova possibilidade. Não sei se você vai acreditar no que vou te dizer agora, mas presta atenção: você não está só.

A gente precisa aprender a perceber as coisas como processos.

Nada está pronto.

Nada vem gratuitamente.

Nada é exatamente simples ou fácil.

Esses sentimentos de inadequação, de achar que não vai dar conta, de se sentir sugada, soterrada por uma avalanche ou uma tromba d´água, ele passa. E vem a calmaria e aí, outra avalanche. São os ciclos naturais da vida. E a gente precisa aprender a viver em meio aos momentos de caos para lá na frente, apreciar a calmaria, ser grato verdadeiramente por coisas simples, delicadas, sem valor material. Tenho pensado muito sobre a importância de descobrir nossos gatilhos de prazer que só dependam de nós mesmas, porque essa pode ser uma ferramenta simples e eficaz para se colocar novamente nos trilhos, diante de situações ruins, de momentos complicados e solitários. Estou trabalhando nessa minha lista, mas ela com certeza, se abastece desses 4 seres aí da foto.

E a sua lista de prazeres? O que é que tira do torpor, te chama para levantar da cama, fazer diferente e recomeçar? Escreve e compartilha comigo?

 

 

Ser margem

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Tenho visto meu menino crescer a passos de gigante. João começa a desejar mais liberdade e encontra na cidade em que moramos, possibilidades reais de expandir seus limites. A bicicleta tem sido a estrela dessa temporada e a cada nova quadra explorada ele volta com um sorriso largo, feliz por sua pequena conquista. Em casa, cada passo é antecedido por uma conversa às claras sobre o que pode e o que não pode, até onde e porque.

João não se contenta com pouca explicação. Na verdade, ele não se contenta e tenta, sempre que vê uma brecha, me convencer do seu ponto de vista. Temos embates que duram o tempo de um pedido de desculpas (meu ou dele), um abraço apertado e um "eu te amo, mãe".

Sei que a brincadeira está apenas começando e que uma longa adolescência se anuncia, mas acredito que até aqui construimos uma relação de muita conexão, com escuta, acolhimento e respeito. Para a Disciplina Positiva, o limite é algo que margeia, sem impedir o fluxo, como num rio. Esse limite guia, orienta o percurso, mas não impede desse rio crescer e principalmente, escolher os caminhos por onde quer seguir. Crianças precisam dessa margem, porque rio que corre sem margem, transborda. E margem que impede o fluxo é barreira, ou seja, represa e faz o rio morrer.

Não é fácil e só de pensar dá vontade de fazer o tempo voltar para aquele momento em que o meu maior medo era nunca mais dormir. De fato, não dormirei. Já prometi que serei a mãe que vai buscar e levar na balada, porque ficar perto nunca é demais. Cresce, filho. Pode crescer. Vai doer em mim e em você, mas eu preciso estar pronta.

 

A gente briga, mas a gente se ama

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É claro que elas brigam. Você já viu algum irmão que não briga com o outro? Pode ter certeza que até os filhos da Gisele Budchen brigam. E sabe por que? Porque estamos o tempo todo dermarcando território, disputando poder, disputando atenção da mãe, do pai, dos amigos. Estamos nos entendendo como gente junto com um outro ou outros seres que dorme e acordam sob o mesmo teto. Isso não tem como ser fácil ou simples. Tenho certeza absoluta que se Buda tivesse irmãos, ele também iria, em algum momento, se envolver numa arenga.

Irmãos brigam. Posto isso, a gente precisa pensar quais são os nossos limites como pais, como adultos, antes de sair repetindo que "não pode brigar" porque eles vão brigar. Aqui em casa não pode bater. Não pode e ponto final. Quando bate, é porque o negócio ta feio e eles estão precisando de ajuda para resolver. Estão precisando que a gente chegue junto, converse, gaste tempo ali ao lado explicando, mostrando, ensinando que isso não pode e encorajando outro tipo de interação.

Quando eles se batem, todos nos machucamos. Quando eles se batem, todos ficamos magoados. Existe um limite, colocado por nós, que foi ultrapassado e eles percebem. Mas aos poucos eles vão fazendo menos, vão entedendo aquele código.

É preciso estar disposto e disponível para quebrar padrões de comportamento das crianças. É preciso ter paciência e muito amor para encarar certos ciclos dos pequenos. Mas ver eles conseguindo lidar com as emoções de um jeito mais saudável é uma conquista da família inteira e isso é lindo de ver. #disciplinapositivanapratica

 

Escrever para não esquecer

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Está em todos as palestras do TED, nos podcasts mais interessantes, em todos os livros de autoajuda: é preciso criar novos hábitos para mudar padrões e redefinir a energia que enviamos para o mundo, só assim, promoveremos uma mudança real em nossas vidas.
Certo. Dica anotada. E agora?
Agora vem a parte difícil.
Criar novos hábitos tem a ver com ruptura, com partir, deixar algo para trás. Nesse processo existem muitos passos a serem dados e não, querido guru, não se muda um hábito em apenas 21 dias.
Para 2018 eu tinha planejado planejar. Acreditei que era isso que estava faltando na minha vida e que eu não ia passar mais esse ano comendo mosca.
Hoje é dia 15 de janeiro e meu plano está falhando solenemente. Não tenho conseguido planejar a vida, os gastos, os compromissos como gostaria. E aí, a vontade que dar é de mandar tudo para o espaço e seguir sem planejamento nenhum mesmo, como sempre foi.
Ainda bem que eu me comprometi em ser mais gentil comigo esse ano, então, nada de auto sabotagem.
Perder o interesse em algo que não está dando certo é normal. Ter vontade de não seguir em frente com um plano ou uma ideia faz parte do processo de mudança. E aí, vale você ter muito claro a razão pela qual você escolheu mudar aquilo, fazer diferente. É isso que nos coloca de volta no jogo, nos move um pouco mais.
Planejar é importante para que eu consiga ter tempo para filhos, trabalho, estudo. Repetindo para eu não esquecer, escrevendo para lembrar de tentar um pouco mais. Respira. Volta. E segue o baile.

Quando a gente vira bicho

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Perdemos a cabeça de vez em quando. Gritamos, engolimos a vontade de chorar e seguimos, até o fim, numa clara luta pelo controle, pelo poder. Não cedemos, não lembramos de respirar e diante do caos instaurado, a gente consegue piorar as coisas, simplesmente por não calar.

É difícil admitir que erramos. É difícil bater em retirada. É difícil controlar a emoção e ceder espaço para a razão, mas nos piores momentos - brigas, birras, estresse - com as crianças, essa é a melhor alternativa.

Pois, é. Você, adulto, pai ou mãe, tem esse direito. O direito de dizer que está chateado, que está com raiva e que é preciso um tempo. Tem o direito (e o dever) de cuidar e amar tanto o seu filho, que consegue perceber quando o limite já foi ultrapassado há muito tempo e que está na hora de se recompor, se retirar.

Quando ficamos com raiva, acessamos o nosso cérebro reptiliano. Aquela parte bicho mesmo, onde as duas alternativas são: fugir ou lutar. É quando não pensamos, não sentimos. Estamos tão tomados por nossos instintos, que só nos interessa vencer.

Mas a gente sabe que nos conflitos com os filhos não têm essa de ganhar ou perder, né? Então, se autorizar a admitir o que você sente é muito importante e muito, muito transformador.

Vamos falar sobre esse e outros conceitos que a Disciplina Positiva traz no dia 3 de fevereiro, às 14 horas. Só restam 4 vagas! Vamos? Se você tem interesse, me manda um e-mail para luandabarros@gmail.com

Estou maravilhosa

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Comecei o ano me prometendo um detox. Queria ficar sem açúcar e pão por 30 dias. O objetivo? Dar uma secada para o carnaval, “limpar o organismo” dos excessos do fim de ano. 

Até que a gente foi nadar no lago e Pedro me fotografou. Quando eu me vi na tela, tomei um susto. Me achei magra. Me olhei por um outro ângulo, que não era o do espelho e fiquei pensando por que eu insistia em não achar aquele corpo bom, bonito. Que doença essa busca pelo corpo ideal! 

Entendi que precisava de um detox sim, mas de pensamentos. Entendi que não podia (e nem queria) cortar nada da minha dieta para secar. Eu precisava era cuidar de como eu me vejo. 

Auto-amor é um negócio difícil demais de praticar. Nunca estamos bem o suficiente. Tem sempre algo que podia ficar melhor, que podia ficar mais bacana, mais redondo, mais durinho. E eu não estou falando só de corpo. Lembrei da uma história de um amigo querido que muito jovem teve um câncer e enquanto lutava a sua batalha, perdeu a mãe para a mesma doença. Quando o encontrei perguntei como ele estava e ele me disse:

- Estou maravilhoso. 

Pah. Assim, bem na minha cara. 

Não dá pra gente sentir nada menos do que muito amor por quem a gente é. E se amando é que a gente se vê com olhos mais gentis, mais cuidadosos. 

Decidi ali, bem enfrente aquela minha imagem, que eu não queria mais me sentir devendo um corpo magro e empinado e que perfeito é ter o privilégio de botar filho no mundo e ver o tempo passar com saúde e amor. ️

O não manual

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Filhos são universos complexos e não demora a gente perceber que eles não são exatamente uma extensão de nós. Se é difícil equalizar os nossos desejos, vontades e dificuldades, imagina a de uma criatura que ainda não tem todas as ferramentas que nós adultos temos? Educar uma criança é um desafio gigante para o qual não somos preparados. Vamos fazendo tudo por tentativa e erro, repetindo padrões (nem sempre saudáveis), buscando na memória ou no esquecimento como reagir diante de determinadas situações. Muitas vezes, nos tornamos pais sem nem curar a criança que fomos e isso pode dificultar bastante as coisas.

Mesmo assim, a minha maternidade nunca foi adepta dos manuais. Li alguns poucos livros sobre o assunto e me vi tão mais angustiada do que antes, que achei por bem deixar para lá. Acredito que isso fez de mim uma mãe muito tranquila. Quando João nasceu, há nove anos, a internet era um campo menos explorado do que é hoje, então, não tinha ninguém cagando regra. Claro que isso não me privou de sentimentos como a solidão ou o medo, mas fui encarando tudo com muita serenidade, como parte do processo e sinto que o negócio fluiu. Até certo ponto.

Sou mãe de 4 crianças e seria pretensão demais acreditar que sempre saberei o que fazer. Não saberei. Mas muitas vezes as respostas para nossas dúvidas não estão exatamente em um manual e sim na troca. Foi isso que me levou até a Disciplina Positiva. A Disciplina Positiva é o não manual, porque ela não te dá fórmulas milagrosas e nem receitas de sucesso para educar crianças. Ela te propõe ferramentas para que dentro da individualidade de cada família, o principio nas relações seja sempre o respeito, o amor e a conexão.

Além disso, ao me formar pela Positive Discipline Association, eu não ganhei crachá de especialista em criação de filhos e de verdade, não acredito nisso. Sou uma facilitadora de conversas entre pais e mães dispostos a ouvir um pouco sobre a abordagem positiva e suas ferramentas e juntos desenhar caminhos de mudança com firmeza e gentileza.

No dia 3 de fevereiro início minha jornada como educadora parental. Se você é de Brasília e tem interesse em conhecer um pouco mais sobre esse pensamento, eu vou facilitar uma conversa entre pais e mães. Para maiores informações, você pode me mandar um e-mail: luandabarros@gmail.com

Feliz você nova

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Tá. Legal. Escrevi as minhas metas para 2018, mas e aí?

O que fazer para atingir metas de ano novo. Buscar.

Desculpem. Sejam fortes, mas essa o google não vai poder te responder.

Atingir metas é algo que demanda energia, exige mudança de hábito. Foco. É aquilo que não pode ser responsabilidade de mais ninguém, além de você mesma. E a gente só assume esse tipo de compromisso quando é algo que desejamos verdadeiramente. Então, antes de sair escrevendo na primeira página da agenda as suas metas para esse ano, pensa: o que você quer para a sua vida? Quais são seus sonhos? Aviso logo que ter clareza sobre essa resposta é muito mais difícil do que cumprir metas.

Desde que me tornei mãe, sentia uma dificuldade em responder essas perguntas. Sempre que pensava em sonho, em futuro, me vinham as crianças e a minha enorme vontade de vê-los crescer com saúde. Era como se não existisse a necessidade de pensar em mim. Mas 2017 foi um ano de me reencontrar, de me olhar novamente, de me resgatar. Uma jornada de autoconhecimento e muita reflexão que me fortaleceram e me permitiram voltar a ter vontades para além da culpa materna.

2018 se anuncia como ano de realizações e sabe por que? Porque depois de muito tempo, eu consegui me dar respostas francas. Consegui entender que caminhos percorrer para atingir as tais metas. Acolhi minhas fraquezas, iniciei um processo de mudança de hábitos que me trouxeram até esse ponto e que me impulsionaram para transformações reais. Vou contar mais sobre isso aqui pois acredito demais no poder do “eu também”. Então, se você está ai, meio sem saber por onde recomeçar esse ano, olhando para suas metas sem saber exatamente o que todas aquelas decisões querem dizer, vamos juntas, devagar e sempre.

 

Coisa de menina

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Todos os dias eu preciso lembrar a minhas filhas que elas podem ser o quiserem. Podem ser princesas, mas podem também ser ninjas, astronautas, judocas e bailarinas. Todos os dias eu preciso incentiva-las a subir em árvores para que elas percebam que são fortes e capazes. Preciso também jogar bola com elas para desmistificar o futebol e aos poucos ir diluindo a ideia de que esse esporte é coisa de menino. Todos os dias eu preciso desfazer essa ideia na cabeça delas.

Todos os dias eu preciso deixar claro que a princesa tem que escolher o príncipe e que ela pode também escolher uma outra princesa ou não escolher ninguém, porque para a gente ser feliz para sempre não precisa ter casamento no final.

Todos os dias eu preciso estimular que elas se olhem no espelho e se achem lindas, mesmo quando estão usando legging com short e regata e casaco, tiara e pitó, tudo ao mesmo tempo agora, porque elas ficam lindas de qualquer jeito, independente do que estão usando. Todos os dias eu preciso dizer também que melhor do que ser linda, é ser inteligente

Todos os dias eu preciso pedir para que elas tenham cuidado com os seus corpos e ao mesmo tempo, fazer com que elas não sintam vergonha de nenhuma parte dele. Preciso falar e repetir que ninguém pode tocar nelas, nem no cabelo, sem que elas estejam confortáveis com aquilo. Todos os dias eu preciso encoraja-las e protege-las.

Todos os dias elas precisam lutar como uma garota.

Correr riscos.

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Sempre que estamos diante de uma decisão importante a gente sofre, né? Perdemos noites de sono, perdemos a fome (no meu caso eu ENCONTRO a fome), perdemos os cabelos. Tem gente que faz lista de prós e contras, tem gente que joga as cartas para tentar uma ajuda celestial, tem gente que medita. Tudo que a gente queria era alguém, alguma coisa que confortasse a nossa decisão, apontasse o caminho do acerto, aquele que não irá trazer nenhum tipo de arrependimento.

Depois de algumas mudanças de cidade, de ter filhos não planejados, de me perder e me achar, tenho me questionado: Qual é o problema em se arrepender? Onde está escrito que a gente não pode tomar a decisão errada? Do que a gente tem medo?

Alguém pode me dizer que tem medo de perder tempo. E eu entendo, mas olha...brigar com o relógio é sempre uma batalha inglória. O tempo sempre vai vencer. Não é possível pará-lo e o melhor a fazer é não achar que ele é seu inimigo. O nosso tempo só acaba com a morte. Sempre dá tempo de se refazer, de recomeçar. Todos os dias, aliás. O medo de dar errado é algo perigoso. Ele nos paralisa, nos segura, faz a gente criar raízes mesmo quando estamos precisando de asas.

Eu já tomei decisões erradas tamanho família. No popular, cagadas gigantes. Já perdi tempo, já perdi coisas, inclusive dinheiro. Mas o fato é que tudo isso me trouxe até aqui. Me fez ver a vida por uma outra perspectiva e com toda certeza, me fortaleceu. Hoje eu posso dizer: deus me livre de não correr riscos.

Stranger Things.

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Eis que de repente a palavra gratidão foi orkutizada e ser grato por alguma coisa virou piada de hippie ou dos seguidores da Oprah . Quem tinha pouca convicção na força da gratidão parou de agradecer e quem seguiu no gratiluz fica se achando o guru da montanha. Eu, que não sou nem lá nem cá, afirmo: tá puxado. Nesse mundo invertido (alô, Stranger Things) nos esvaziamos de tudo que pode ser mais estável e nos apegamos exatamente ao que tem fim e assim, sofremos, deprimimos.

Desculpem os incrédulos, mas ser grato pode sim transformar nossa realidade. Pode mudar a nossa perspectiva sobre as coisas. E como é isso? Simples:

- Entenda o seu lugar de privilégios e simplesmente agradeça. Não importa a quem (Deus, Deusa, universo), mas agradeça. Do fundo do seu coração.

- Encontre pequenas coisas no seu dia que te fazem feliz. Correr me faz muito feliz, tomar uma xícara de café me faz feliz, escrever me faz feliz, um whatsapp de um amigo me deixa feliz. São TANTAS coisas que não tem por que não agradecer.

- Observe os gatilhos que te fazem perder a conexão, o humor, a esperança e desvie o caminho, mude a rota, pule a vez. Eu tenho mania de ler notícias de desgraça. Isso sempre me deixava mal. Não estou falando sobre me alienar do sofrimento alheio, mas tem coisas que são muito para mim. Eu tenho meus limites e preciso respeitar eles para seguir em paz. Gatilho encontrado. Ação: não ler mais tais notícias. Elas existem, eu sei, mas eu não as leio. E ao final do dia, sigo agradecendo pelos meus privilégios e as pequenas coisas que me trazem alento.

- Entender a gratidão como uma escolha saudável. Tipo alimentação. Aí você tem a Bela Gil que é saudável 100% do tempo dela e tem eu, que sou saudável 60% do meu tempo. Eu não sou a pessoa mais grata do planeta, mas eu busco isso. Olho para esse caminho e desejo seguir nele por acreditar que é o mais legal para mim, para que eu seja uma mulher mais bacana, uma mãe melhor, uma parceira mais inteira na minha relação. Eu escolho isso, sempre que é possível.

Esse domingo eu escolhi ser grata por uma saia rodada, pelo sorriso de Teresa e pela capacidade de fantasiar de Irene. Simples, mas eficaz.

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Sonhando acordada

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O que tem te segurado, feito você adiar seus planos, sonhos e projetos? Eu sei que além das coisas tangíveis (filhos, emprego, casamento, dinheiro), existem as intangíveis e quer saber de uma coisa? Essas, apesar da gente nem conseguir tocar nelas, podem ser muito mais poderosas e nos prenderem muito mais.

Em algum momento da nossa vida, a gente veste uma carapuça de que não somos suficientemente boas por alguma razão. Pode ser o peso, o sotaque, pode ser porque faltou um diploma ou a certeza de que o tempo já passou e você agora “não tem mais idade”. Os motivos podem ser tantos! E eles são absolutamente reais dentro da gente. Tanto que nos impedem de seguir adiante.

Para que eu comece a realizar meu grande sonho, falta claramente um diploma. É como se apenas após 5 anos de estudo eu fosse capaz de cuidar de mulheres. Dessa forma, eu estou o tempo todo buscando só mais um curso, mais aquela formação, aquele workshop. E assim, eu sigo adiando o meu plano de dominação mundial e vou me afundando na minha zona de conforto, que cá entre nós, nem é tão confortável assim.

Mas a grande verdade é que todos os dias eu escuto mulheres. E converso com elas e doou meu tempo a elas. E sei que cuido de muitas delas. Ofereço aquilo que posso: meu colo, meus ouvidos, minha rede. Tenho ao longo do tempo colecionado momentos onde vivi esse cuidado, fiz ele acontecer. Então, o que falta? Falta eu me dar crédito por isso. Falta eu acreditar nisso com tanta verdade, que isso se torne algo real, para mim e para quem precisar de mim. E você, que verdade está precisando contar para si mesma?

A nova eu, de roupa nova.

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Claro que passei por aquela fase de não me reconhecer depois da chegada de um filho. De olhar para meu guarda-roupa e não entender certas peças que estavam ali penduradas, de me sentir estranha em tudo o que vestia. Já passei também pela fase de não querer vestir nada e sonhar com o caminhão do Faustão fashion edition. Já tive momentos de me largar tanto que o pijama se transformou na minha peça preferida e usar o mesmo por dias a fio era absolutamente normal. Depois disso, evoluí para usar exaustivamente roupas de parquinho para todas as ocasiões, o que me dava conforto e liberdade de movimentos, fundamental para quem pratica agachamento fora da academia e carregamento de crianças em curta distância.

Hoje, depois de 4 filhos, esse caminhar me parece menos pesado. Já entendi que todas essas fases fazem parte do florescer materno e que o melhor é não lutar ou se angustiar. Quando abrimos mão da vaidade, do estar bem vestida ou arrumada, não estamos nos deixando de lado. Estamos apenas mergulhadas em um momento onde nós não somos mais tão protagonistas assim. E tudo bem. Em algum momento, logo ali a diante, iniciaremos nosso resgate. Pode demorar mais para uma do que para outras, mas ele acontece. A grande surpresa é que nem sempre vamos reencontrar a mulher que deixamos para trás antes da barriga crescer e do bebê nascer. Estaremos mudadas. Para melhor.

Hora de começar

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Hoje é segunda-feira, dia mundial de começar algo. A minha lista de coisas que eu desejo começar está beirando o inatingível e eu resolvi tomar vergonha na cara. Quando a gente quer que algo aconteça ou mude, não tem muito mistério, é só começar. Não é necessariamente fácil, mas é simples. Mas então por que a gente coloca tanta dificuldade? De onde vem essa mania de se sabotar, de achar que não é possível, que não dá conta ou não dá tempo?

Tenho pensando muito sobre os meus desejos de mudança, aquilo que quero para mim, independente dos meus filhos, do meu marido, da minha casa. Aquilo que é só meu. Percebi que nunca estou em primeiro lugar na minha lista de afazeres. As demandas de todos ao meu redor vem antes da minha, como algo natural. E sabe por que? Porque é mais fácil fazer pelos outros do que por mim. É mais fácil cuidar dos outros do que de mim. E assim, os meus planos e vontades vão ficando para uma outra hora, um outro dia, próximo ano.

Fazer coisas por nós mesmo precisa ser entendido como um autocuidado. E eu não estou falando de ir na academia ou fazer as unhas. É mais. Se cuidar, tem a ver com se ouvir. Saber o que você quer e para onde apontam seus passos. Estamos indo na direção certa? Só vamos saber se tivermos um destino, um lugar aonde queremos chegar. Então, para nós, cuidadoras de todo mundo, deixo duas perguntas: qual o seu sonho e o que você está fazendo por ele?

Minhas imperfeições

Ao me tornar mãe, iniciei uma peregrinação por dentro de mim. Olhar com muita sinceridade para quem eu era até ali, me permitiu descobrir cantos escondidos, atalhos até o coração, retalhos de outras mulheres. Me abri para a desconhecida eu e assim, sem grandes expectativas, fomos nos tornando íntimas. Hoje, nove anos depois do início desse caminhar, encontro uma Luanda segura, equilibrada emocionalmente, mas que ainda cai na armadilha de tentar ser a mãe perfeita.

A amamentação de Joaquim foi um grande desafio desde o início. Nunca havia sentido tanta dor. Nunca havia me sentido tão fracassada e tão forte ao mesmo tempo. Tive, durante 29 dias, as melhores pessoas ao meu lado, me orientando, segurando minha mão, secando minhas lágrimas. A montanha russa de sentimentos me fazia querer desistir e continuar tentando em intervalos de minutos. E entre o “dá logo uma mamadeira” e o “aguenta firme que vai passar”, eu escolhi a segunda opção. E assim, como num passe de mágicas, as dores passaram e amamentar se tornou algo prazeroso.

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Mas acontece que dar de mamar não é só oferecer o peito. Amamentar é estar disponível, inteira. E infelizmente, eu não estava, não estou. Luanda, mãe de Joaquim, é também mãe de outras três crianças, com demandas emocionais, físicas e espaciais, que precisam e são atendidas por mim. Para Joaquim, eu sou apenas um quarto de Lua, da sessão filhos. Isso quer dizer que nem sempre eu consigo. Sim, depois de toda aquela batalha pelo peito, eu me rendi a mamadeira e ao leite artificial. Joaquim mama no peito quando eu estou presente. Quando eu estou inteira para ele, nos outros momentos, ele toma mamadeira.

Aceitar isso não foi fácil. A mamadeira é sim uma inimiga da mãe que deseja amamentar com exclusividade e por muito tempo. E no meu ideal de mãe perfeita ela nem entrava na lista de enxoval. Ser mãe pela quarta vez foi mais um convite a olhar para dentro, a me redescobrir. E diante de cada situação que me chega, eu tento entender o que está por trás, qual o ensinamento e a grande lição que eu preciso aprender. Ser mãe de quatro crianças me mostra, todos os dias que mães perfeitas não existem. Ainda bem.

Amar é direito

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Sou mãe de meninos e meninas com diferentes idades e, por isso, cada assunto é tratado com diferentes abordagens. Em comum, independente da idade, existe a premissa que nossos filhos são capazes de entender muito mais do que conseguimos explicar. Por isso a conversa é reta, direta. Com 4 filhos vocês podem imaginar a quantidade de assuntos que surgem em um simples café da manhã. Eu e Pedro estudamos, inclusive, a possibilidade de distribuição de senha, para garantir que todos consigam falar. Nos trendtopics das pautas, amor é assunto recorrente. Meus filhos observam diariamente um casal formado por um homem e uma mulher e essa poderia ser a única verdade para eles. Mas não é. E nós fazemos questão de que não seja. E como a gente faz isso? Normalizando todas as formas de amor, falando e tratando com naturalidade aquilo que é deferente de nós. Em Brasília temos poucos amigos gays que frequentam nossa casa, infelizmente. Então, o que nos resta é aproveitar os assuntos que vem das próprias crianças. 

Princesas por exemplo: casam com que quiser. Podem casar com príncipe, com outra princesa e claro, podem nem casar, se elas assim o quiserem. O mesmo vale para as bonecas, para as brincadeiras de casinha, para as relações quando eles crescerem. Quando João arrumar uma namorada ou namorado, ele vai precisar ser honesto, cuidadoso e gentil, sempre. E isso é dito, com todas as letras, sem melindres. Bichos, bruxas, fadas, meninas, meninos, não importa: cada um namora com quem quiser.

 

Esse é um jeito de ensinar respeito aos meus filhos. De fazer eles, mesmo pequenos, perceberem que não existe certo e errado quando a escolha é do coração. E que as escolhas deles serão sempre acolhidas por nós. 

Assim, a gente vai resistindo. Assim a gente vai acreditando que apesar de tantos retrocessos, as próximas gerações serão melhores do que nós. Só assim. Viva o amor. Viva a liberdade de amar. #amarédireito

Crianças que são crianças

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Acreditem: elas não são fofas. São meninas cheias de personalidade, que brincam muito e brigam também. Elas demandam atenção e fazem birra. Choram quando estão cansadas, choram quando estão frustradas.

Elas não são criativas. O que é ser criativo, afinal? Elas são crianças estimuladas a serem crianças. Não são mais espertas do que nenhuma outra menina da idade delas. Elas são carinhosas sim, porque e só porque recebem muito amor, todos os dias. Elas são levadas à sério e são estimuladas a dialogarem para conseguir o que querem. Elas gostariam de fazer balé, mas enquanto não é possível, criamos aulas imaginárias, dançamos na sala de casa. Elas queriam ter todas as bonecas da vitrine das lojas e para lutar contra isso, não vamos ao shopping, porque shopping não é lugar de passear. Damos preferência aos parques. Elas gostariam de ir na Disney, mas tá tudo bem se a gente for aqui pertinho, em Pirenópolis. Tem dias que elas querem ser princesas e brincam de casar, de família. Tem dias que a brincadeira é uma aventura no deserto e elas precisam salvar quem está em perigo. E assim, elas vão explorando e bagunçando a casa toda, com a promessa que tem que arrumar depois. E elas arrumam. Nem que seja na marra. Irene e Teresa, apesar dos 40 segundos dos Stories não mostrarem, podem ser enlouquecedoras, gritam são e até chatinhas, sabe por que? Porque elas são só crianças. Ainda bem

O roteiro e a rotina

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Receitas para fazer bebês dormir a noite toda são fáceis de achar. Existem métodos testados e aprovados mundo a fora e histórias de sucesso diante dos piores casos. Mães desesperadas compram livros, assistem cursos online, trocam informações em seus grupos de WhatsApp. Elas estão cansadas e fazendo qualquer negócio por 6 horas seguidas de um bom sono. Entre as técnicas, poucas variações e uma regra em comum: rotina. O bebê vai aprender a dormir se tiver uma linda e tranquila rotina. 

Acontece que ter rotina é o mundo ideal. Nesse mundo ideal imprevistos não acontecem, finais de semana são iguais aos dias de semana (que chato isso), os filhos são sempre únicos e a vida segue um script infalível. 

Rotina é importante, mas não pode ser prisão. Se você está aí aos trancos e barrancos tentando criar ou impor uma rotina para seu bebê, te mando meu abraço. Estamos juntas. Tem dias que rola e a gente vibra, tem dias que é um caos e a gente se desespera. Antes de querer seguir fielmente qualquer dica, lição ou metodologia, tente conhecer seu bebê, entender a dinâmica da sua vida. Aceite o que cabe no seu estilo, descarte o que não cabe. Por aqui, tem um bebê que dorme quando as irmãs deixam. Dorme enquanto a mãe tenta escrever um texto. E assim, a vida vai acontecendo. Sem roteiro e com a rotina que dá

Vai ter criança

Ter quatro filhos não é troféu. Não me dá diploma de mãe, nem carteirinha de um clube especial. Não me eleva a uma categoria melhor, não é minha profissão. Mas ter quatro filhos me coloca sim num lugar de empatia que dificilmente outra experiência me traria. Para conviver com crianças é preciso exercitar o amor na sua forma mais crua. Talvez por isso a onda de pessoas que não querem crianças por perto esteja ganhando espaço. Amar é difícil. Ser empático com uma criatura de que chora, grita, faz birra, é difícil. Mas o mundo não vai ter jeito se a gente não cuidar das crianças.

Tive quatro filhos e cuidar deles bem de perto é o meu jeito de transformar o mundo. É um trabalho braçal, que me exige muito emocionalmente, porque só posso fazer isso em equilíbrio. Só posso cuidar deles, se cuidar de mim. 

Se uma pessoa ou um lugar evita a presença de crianças, há de se admitir o desequilíbrio emocional, a dor da crianças interior, a falta de amor, de humanidade. Ninguém precisa gostar de crianças ou querer ter filhos, mas sem crianças o que nos resta é a morte do mundo, da esperança de dias melhores. E isso tá errado, não pode ser. 

O amor precisa ser maior do que o ódio. O amor precisa ser maior do que o preconceito, o amor precisa ser maior. E se depender de mim, vai ter crianças sim.

O quarto elemento

Lembro da chegada de Irene e do impacto que isso teve no João, até então, filho único. Ele tinha 4 anos e dividir a mãe, o pai e o espaço, obviamente não foi fácil. A mudança se apresentou em forma de choro, que surgia sem motivo aparente. Lembro também da minha necessidade que ele crescesse. Eu precisava que ele não precisasse mais tanto de mim, que se virasse, ficasse mais independente. Esse meu desejo com certeza empurrou meu filho pra frente, mesmo causando certa dor para ele. Sim, mães causam dor e não tem como escapar disso. Um salve para psicólogos, terapeutas e psiquiatras!

Quando Teresa nasceu, essa bagunça sentimental me pareceu menor. (Posso descobrir daqui há alguns anos que essa foi apenas a minha impressão e que para João e Irene foi foda, mas hoje não é assim que vejo). Acho que os dois ficaram bem com a chegada de mais um integrante na família. Irene passou de caçula para irmã do meio muito rápido, sem chances ou maturidade para processar aquela perda. Eu tinha em casa dois bebês de fralda e isso foi muito cansativo, mas foi e é lindo ver a relação das duas. É lindo também ver João construindo as pontes com as irmãs, dentro do seu tempo.

Joaquim chegou sem poder exigir muita coisa mas me mostrou a enorme capacidade de acolher e amar que seus irmãos têm. João, Irene e Teresa receberam o irmão de coração tão aberto, que emociona. Ver eles bem, equilibrados emocionalmente, me fortalece. Claro que isso não me livra de choros e birras, mas no geral, percebo que esse quarto elementinho trouxe uma cola, um grude ainda maior entre nós e isso é reconfortante, diante do caos natural que é a vida com 4 crianças. Que bom, Joaquim. Que bom. #nodramamom