Sapatos?

Eu já tive uma coleção de sapatos. Coleção mesmo, daquelas que tem até sapato que a pessoa não usa. No meu caso, não usava porque era um número a mais e realmente não cabia no meu pé. Mas era tão lindo...Cheguei a ter uns 80 pares de sapato. Lembro que quando casei, um dos principais móveis do apartamento era a minha sapateira. Dez anos se passaram e muita mudança aconteceu. Mudanças estrut urais ( foram 4 cidades e 9 casas) , mudanças emocionais (3 filhos), mudanças profissionais (já fui da publicidade, ja fui consultora de estilo pessoal, hoje trabalho como doula e estou num mergulho bem profundo nas terapias alternativas, mas esse é assunto para um outro post).

Rapidamente entendi que não seria viável carregar tanto sapato assim pra cima e pra baixo e iniciei um processo de desapego. A última grande leva saiu há um ano, quando deixei São Paulo. Hoje devem ter uns 8 pares, sendo que 4 deles são saltos que funcionam exclusivamente para compor o look de princesas e fantasias que as meninas usam. Ou seja, viraram brinquedos. Outro dia quis muito um tênis branco e comprei. Mas fazia tanto tempo que não fazia isso, que errei o número e o tênis virou presente para uma amiga.

Além do meu senso prático ter sido ativado com todas essas transformações e mudanças, um outro fato no meu processo com sapatos me marcou muito. Ainda como consultora eu atenti uma designer de sapatos. Ela tinha uma loja, trabalhava com isso, respirava isso. Quando fui ao seu guarda-roupa pela primeira vez, ela me mostrou como guardava os pares que tinha. Eles estavam todos nas caixas, absurdamente bem conservados e lindos. Dentre todos, o preferido era um que havia sido da mãe dela, desenhando por uma designer que a minha cliente adorava e que já havia morrido. A relação dessa mulher com sapatos era muito especial, intensa e clara. Ela usava os que mais gostava, uns 3 ou 4 e aquilo bastava. Os outros eram mais um arquivo da história dela, algo importante de ser guardado com aquele cuidado. Continuo achando sapatos algo muito bonito, mas entendi que não preciso de tantos. Entendi também que criança precisa de menos ainda e que privilégio de verdade, é andar descalça.

 

Herdar > comprar

“ A gente tem o suficiente - provavelmente até mais - mas não vem se dando conta.” Foi assim que comecei meu dia hoje. As palavras vieram de presente, embrulhadas em papel de newsletter da @oficinadeestilo. O assunto era roupa, consumo e o quanto a gente anda no piloto automático, quando o tema é comprar, deixando de exercer a criatividade no vestir e claro, detonando o planeta. Aquilo me pegou.

Fui uma mãe que fez enxoval em Miami para a chegada da primeira filha. Irene foi recebida com um guarda-roupa de gente grande, com coleção de sapatos e roupas até ela completar um ano. Tudo novo, tudo lindo. Teresa, obviamente, não teve o mesmo destino. Eu brincava que até a chupeta seria herdada da irmã. Duas histórias, dois aprendizados. Um abismo entre uma mãe e outra, sendo que era a mesma.

Sei o quanto o ritual de arrumar as roupinhas do bebê é importante, mas aprendi que o exagero é o sentimento que conduz esse momento, mais do que a emoção. A lista das necessidades de um recém nascido é algo descomunal e a mãe, uma vez que recebe a informação de que aquilo é o essencial, só sossega depois que encontra os 12 paninhos de boca, as 90 fraldas de pano, os 12 cueiros, os 48 bodys e as 98 calças, porque calça suja mais. Calma, respira. Sei que não vai fazer tanto senti assim, mas eu JURO que seu bebê vai ficar bem com muito menos. E isso vale para a vida toda.

Entender que já temos o suficiente - provavelmente até mais - é o primeiro passo para ensinar isso aos nossos filhos. Não é fácil. Mas é urgente.

Ir para Miami e aproveitar as ofertas é legal? Claro que é. Mas não é necessário. Herdar roupas de bebês amigos pode ser muito mais emocionante. Brincar com uma boneca até ela se desmanchar, pode ser muito mais marcante do que um quarto inteiro de brinquedos. Usar uma chuteira até ela não caber mais, pode ser muito mais construtivo do que ter os 6 modelos. Criança não nasce sabendo comprar. Somos nós quem ensinamos. E como ninguém vive na floresta, a questão não é parar de comprar, mas sim perceber como usa o que já tem. Despertar a nossa consciência e dos nossos filhos, para ver se o planeta dura mais um pouco. #nodramamom

Filhos, por que tê-los?

Lua, por que você teve filhos?

Essa foi a pergunta da Nívea, que me mandou um email fofo e queria me ouvir. Ela contou que uma garota de 4 anos havia feito essa pergunta para ela e levou 5 meses para que uma resposta fizesse sentido.

Assim como a Nívea, eu fiquei pensando nessa resposta e acho que para mim, ter filhos não foi exatamente uma escolha. Aconteceu. E aí, comecei a enxergar que na minha vida as coisas são meio assim, elas acontecem. E eu abraço, vivo intensamente, vou fundo.

Eu nunca pensei muito sobre ter filhos ou sobre ser mãe. Não era algo que eu planejava. Sempre fui muito maternal, no sentido de cuidar das coisas ao meu redor, mas nem me lembro de brincar muito de bonecas quando era pequena.

Antes de ser mãe, eu estava vivendo a concretização de um grande amor, um reencontro com o cara que tinha marcado a minha adolescência. A gente estava construindo essa história, tínhamos um ano de casados e passávamos pela nossa primeira mudança de cidade quando engravidei. Não existia dúvidas sobre João. Ele era uma consequencia natural da nossa história de amor.

Hoje, depois de 3 gravidezes, eu acho que ter filhos é a maior oportunidade que a vida nos dá para evoluir. É a única oportunidade? Não, claro que não. Mas é, para mim, a mais viceral. Ser mãe não me coloca num pedestal, mas me dá sim, uma outra perspectiva das coisas.

Eu tive filhos e eu optei por estar perto deles, para ser uma pessoa melhor. Para que através do amor que eu sinto por eles eu consiga transformar um pouquinho o mundo. E para que eles, ao sentirem esse tanto de amor, sejam pessoas mais corajosas.

Muito obrigada à Nívea, pelo email e pela pergunta.

Ofereço meu singelo espaço de comentários e minha caixa de emails para quem quiser responder também. <3

Minha pequena

Bebês já nascem precisando cumprir metas: apgar, peso, tamanho, circunferência da cabeça. São números que indicam saudabilidade e também padrões normativos. 

Com pouco tempo de vida é esperado que bebês não chorem e durmam 8 horas seguidas. Depois acontece a maior sucessão de metas a serem batidas, no menor espaço de tempo, como se os bebês fossem vendedores da Ambev: comer sólidos, andar antes de um ano, desfraldar antes de 2 e, claro, falar. Soma-se ainda as curvas de crescimento e peso. Não pode ser para mais, nem para menos, pois bom mesmo, ou normal, é ser na média. 

Teresa nunca foi na média: nasceu com quase 42 semanas, mamou mais de dois anos, andou com nove meses, falou com um ano, desfraldou sozinha, sem nem fazer alarde. É uma menina engraçada, leve, esperta, mas... Não cumpre as metas exigidas. Está abaixo da curva de crescimento, é pequena. E eu, ao invés de lembrar de tudo o que ela é, fico me apegando a um gráfico. 

Não, parei. Não posso continuar a olhar apenas para o que ela não é. Isso não é justo com todo o resto. 

Teresa, mais uma vez, me faz pensar que controle é para os fracos e é que importante mesmo é acreditar no tempo das coisas. 

Transbordar

Outro dia li um texto que dizia que a gente só pode dar ao outro, aquilo que em nós está transbordando. Não adianta a gente querer ajudar o outro, querer dar amor, acolher, quando não está sobrando nem pra gente. 

O trabalho de Doula é uma doação, em todos os sentidos. A gente, por não ser profissional da área técnica, a gente doa aquilo que temos de melhor, de mais forte. Doamos a nossa confiança, nossa conhecimento, nossa coragem, para uma mulher que naquele momento está precisando de tudo isso. A gente doa amor, doa o tempo. A gente se doa, se entrega para a construção de uma ponte entre a mulher que esta morrendo e a que está nascendo. 

Mas só dá para fazer isso, quando transbordamos. 

Em nossa função como mãe, é igual. Como mulher, a mesma coisa. Amiga, profissional, amante, filha, em todas as nossas relações, para dar, é preciso transbordar. ️ 

Vamos?

Um dia você olha ao redor e pensa que nem tudo saiu como o planejado. Você ainda não comprou seu apartamento, tem um filho, dois, três. Casou, separou, casou novamente ou não casou ainda. Tem um trabalho que paga as contas, mas não te faz feliz, viaja menos do que gostaria, encontra menos os amigos do que é recomendado no estatuto da boa amizade, você nunca encontra nada para vestir e aquela barriga parece que criou apego à sua cintura.

Você está cansada e se questiona como foi que tudo aconteceu tão rápido. Não era para ser assim, você pensa. Mas é e olha, tá tudo bem. Sinto que a gente precisa aprender a refazer os planos, se reinventar, se redescobrir, sempre que se sentir fora dos trilhos. Parar de perseguir modelos e tentar se encontrar em meio a tantas expectativas, inclusive as nossas próprias. Mas como fazer isso? Como conseguir ser realmente grata por uma vida que não é exatamente aquela dos seus sonhos?


Para mim, isso acontece nos momentos de respiro. Nos momentos em que eu verdadeiramente olho para meus filhos, para meu relacionamento e para mim e penso que está tudo bem. As coisas não aconteceram como estava no roteiro imaginário da minha cabeça, mas, pensando bem, muitas coisas foram até melhor desse outro jeito. Vamos parar de reclamar de sonhar acordada. A vida está acontecendo bem diante dos nossos olhos, todos os dias e ela é incrível, até quando não é perfeita.

Meninos, meninas e futebol (ou sobre como falar de feminismo com seus filhos)

João chegou em casa bravo. Estava irritado com a professora da escola, que tinha impedido um jogo de futebol dos meninos, para que as meninas tivessem acesso a quadra. Eles poderiam jogar juntos o futebol, mas as meninas não queriam. Queriam o espaço para elas fazerem o que bem entendessem e não jogar futebol com os meninos. João engrossava o coro de que não era justo, que as meninas podiam muito bem jogar junto com eles, mesmo elas não sabendo jogar tão bem quanto eles.

Começamos a conversar e isso rendeu por 3 semanas (como é de costume com João). Ele não entendia porque as meninas não podiam simplesmente jogar junto com os meninos. Para ele, não fazia sentido eles terem que abrir mão da quadra, por elas, que nem jogavam bola. Puta mundo injusto.

Ali, bem diante dos meus olhos, meu filho me dava a oportunidade para falar sobre feminismo. Sobre a importância de chamar as meninas para perto e de olhar para elas como seres iguais a eles, os meninos. Foi engraçado perceber a construção das ideias em sua cabeça. De um lado, eu não conseguia compreender que “as meninas não gostam de futebol” e do outro lado, ele sem saber direito o que significava estimular as meninas a jogarem. Ontem, depois de 3 semanas, conversando sobre a sua festa de aniversário, ele me disse:

- Acho que entendi, mãe. As meninas precisam ser incentivadas. Elas precisam ter um time delas. Alguém que ensine a elas a jogar, um horário para elas na quadra…

- Isso, filho. Exatamente isso. Se elas tiverem esse espaço, talvez muitas delas descubram o quanto gostam de futebol.

- Mas eu acho que isso não vai acontecer. Não acho que na escola vão pensar assim.

- Não tem problema, filho. A gente pensa assim aqui em casa e a gente vai chamar as meninas para jogarem futebol na sua festa.

- Aí a gente vai fazer a nossa parte, de incentivar as meninas.

- É. Vai ser um começo.

Meus filhos estão crescendo

Meus filhos estão crescendo e por mais que eu queira segurar o tempo com unhas e dentes, isso é bom. Começo a me despedir do clube das mães de bebês. Fui muito bem acolhida, mas é hora de seguir em frente. Sim, tenho muita vontade de ter outro filho, mas hoje não acho isso possível. João tem 7, Irene 3 e Teresa 2, mas ela jura que são 4. O mais velho, por obra da sua personalidade ( e ascendente), sempre foi muito tranquilo e lida bem com o fato de estar crescendo, mesmo sofrendo de vez em quando. É, não é fácil. Irene e Teresa ainda me demandam muito, querem e pedem colo, disputam minha atenção, choram por nada e não sabem se limpar sozinhas, o que faz com que minhas refeições sejam quase sempre interrompidas para cuidar de um cocô ou xixi. Mas assistir os precessos de independência deles, é um presente pelo qual eu sou muito grata.

Acho que foi por entender a chegada do fim desse ciclo que me senti pronta para falar e acolher outras mães. Foi da vontade de transformar a jornada de cada uma em algo mais prazeroso, que surgiu o @mamasemanas, meu novo projeto de vida, e a minha parceria com a Tati. Foi do entendimento de como ter um apoio pode ser transformador que resolvi ser doula. Foi da percepção que família é o núcleo cuidador e independe da formação (se tem pai, mãe, duas mães, ou qualquer coisa), que me coloquei à disposição para ouvir essas pessoas, porque não é fácil educar gente.

Meus filhos estão crescendo e eu também. A maternidade me transformou, jogou no meu colo uma causa, pela qual eu acredito que vale a pena lutar. Me sinto em paz e forte.

Todas as outras cores

Estava numa livraria com Irene e precisava comprar um caderno para João. Me dirigi até a vendedora e fiz o pedido. Ela me devolveu com uma pergunta: é para menino ou menina?

Pensei dois segundos se deveria levar aquela conversa adiante e resolvi que sim. Segue o nosso diálogo:

- Faz alguma diferença se é para menino ou menina? (Eu, com cara de desentendida)

- Faz. O motivo da capa é diferente. (Vendedora surpresa com a minha pergunta)

- Ta. Mas qual a diferença mesmo? (Eu, ainda com cara de desentendida)

Senhora, um tem desenho de menina e outro tem desenho de menina. (Vendendora levemente irritada)

- Mas um desenho não significa nada. O caderno serve para meninos e meninas, sem diferenças. É só um caderno. (Eu, calma.)

- A senhora pode não se importar, mas tem gente que se importa. (Vendedora sem acreditar naquele diálogo)

- Entendi. Mas e você, você se importa? Você não acha que você pode fazer a diferença nessa coisa besta que é essa divisão entre meninos e meninas? Na hora que você está vendendo um caderno, você não precisa diferenciar. Porque na verdade, não tem diferença, né? (Eu, tentando ser didática)

- A senhora vai me desculpar, mas tem diferença sim. (Vendedora já MUITO irritada comigo)

- Sabe o que vai acontecer se você continuar pensando assim? Você vai sempre ganhar o salário de uma menina.

Ela não falou mais nada. Calou. Foi pensar na vida.

Ontem, as crianças estavam brincando e mãe e filha. João era a mãe e estava dando de mamar para Teresa. Eu achei aquilo muito lindo, muito forte, muito simbólico. O mundo dividido em rosa e azul é muito chato. Coisa de menino e coisa de menina? Sério mesmo? Aqui em casa não, obrigada. #nodramamom

 

 

Hora de comer!

 

Tem que comer a fruta antes do pão. Teresa, já comeu, filha? Não Irene, não pode mais melão, se não, não tem amanhã. João, o suco da manga ta escorrendo pelo braco, vai melar seu uniforme! Esse negócio de chupar caroço de manga pela manhã não dá certo! Olha a meleca. Teresa, não pode comer só o presunto da tapioca, tem que comer tudo. Também não pode tirar o queijo. Outra tapioca, Irene? Tem certeza? Vcs precisam tomar água. Tem que comer logo, se não, a gente atrasa para a escola. Comeram o lanche todo? Filha, não pode todo dia ser a mesma fruta. O combinado é uma fruta diferente a cada dia. Você não gosta, mas vai gostar.  Não, não pode ter pão de queijo todo dia no lanche.

Hoje é arroz integral sim, ontem já teve o branco. Não tem essa de que não gosta. Não fiz suco de laranja, porque não deu tempo. Acabou o alface, João. Tem que comer a cenoura hoje. Vai comer o brócolis sim. Mistura que você não vai nem sentir o gosto. Gosto ruim? E você acha que eu iria te dar alguma coisa que tem gosto ruim, criatura? João, usa a faca. Nenoca, você já consegue usar o garfo, não pega com a mão. Teresa, come alguma coisa, filha. Não, hoje não é dia de sorvete, só no fim de semana. Não quer peixe? Por que não quer peixe? Peixe é otimo, faz bem para a saúde. Linguiça só na feijoada. João, essa comida ta muito seca, filho. Põe a lentilha, que fica bom. Teresa come outra coisa além do brócolis, filha. Irene, experimenta, você vai gostar. Quem tem a boca maior, Irene ou Teresa? Boca de leão e boca de hipopótamo! Filho, eu tô ligada no truque de espalhar a comida, pode juntar que tem mais umas 4 garfadas aí. Não, Irene, vc não vai repetir o macarrão, seu prato já estava enorme. Suco só depois do almoço e não tem conversa.

A sopa é de legumes e está uma delicia. Tem que comer tudo, para ficar forte e sabido. A Ana e a Elsa adoram panqueca de espinafre. Gostam sim! Teresa, Irene já está acabando. Abre esse bocão, filha! Boca minhoca não vale. Eita, derramou tudo! Não faz mal, a gente enxuga. Quem vai me ajudar a limpar essa sujeira aqui? Podem ir pegar as suas vassouras e João, pega a pá. Todo mundo ajudando, quero nem saber.

Alimentar crianças não é algo exatamente fácil, mas claro que sempre vai ter aquela criatura que ama brócolis e não dá o menor trabalho para comer, mas sério, elas são a exceção. A questão com a alimentação precisa ser levada à serio, mas não pode nos tirar do sério. É preciso ter paciência e muita dedicação para mudar algum tipo de comportamento alimentar que seu filho tenha adquirido. Por isso que começar certo dá mais trabalho, mas pode ser melhor lá na frente. Parabéns à todas as mães que tomam isso como bandeira. Vocês são incríveis e eu sou fã. #nodramamom

 

 

 



Médicos com fronteiras

As discussões políticas entraram na pauta e na vida das crianças com todos os últimos acontecimentos e o que temos visto é um show de horror. As famílias validam seus argumentos raivosos diante de meninos e meninas curiosos e a reprodução do que se escuta em casa carrega a mesma raiva, só que em corpos menores. É como se o áudio não combinasse com o vídeo. É feio e triste.

Nesse embate, quem sai perdendo, claro, é o lado mais fraco, o das crianças. Sei que é natural para um filho escolher “o lado do pai e da mãe” e não há problema nenhum nisso. Cabe aos grupos sociais, no caso das crianças, a escola, uma tentativa menos parcial e passional de colocar fatos e argumentos de maneira mais elucidativa. É preciso tirar do vocabulário dos pequenos, palavras como vaca, puta ou gorda como argumentos para qualquer coisa. É preciso mostrar que não se deseja a morte de ninguém, como forma de impor a sua vontade. Parece simples, mas não é.

Passado isso, é fundamental exercitar o respeito ao que é diferente de mim. E aí, sai de cena a política e entra no seu lugar a questão humana. Dias atrás, uma médica se recusou a atender o filho de uma vereadora do PT. A médica atendia a criança desde seu nascimento, mas agora, diante do cenário, acho que aquela criança não era mais digna de toda sua sabedoria e rompeu via whatsapp com a mãe. Se você acha que a médica tem o direito de não atender a pequena paciente, faça o exercício de se colocar no lugar da mãe e mais uma vez, esqueça a política. Complete a frase com a palavra que você achar melhor e veja se faz algum sentido:

 

 

A médica não atendeu a criança porque a mãe dela era __________________

(  ) Negra

(  ) Gorda

(  ) Evangélica

(  ) Doméstica

(  ) Católica

(  ) Umbandista

(  ) Espírita

(  ) filiada ao PMDB


Nenhuma das respostas anteriores completa a frase corretamente. A médica não atendeu a paciente porque ela, a médica, é uma mulher absolutamente preconceituosa e intolerante. E expor uma criança de um ano a esse sentimento não é humano. #nodramamom

Mãe&feminista

Li um artigo essa semana que trazia uma declaração da Beyoncé (musa mor por aqui), sobre suas maiores conquistas e realizações. Entre tantos prêmios (mais de 20 grammys) e feitos na carreira, a cantora afirmou que ser mãe era a coisa mais grandiosa que já tinha lhe acontecido e a resposta parece que não agradou.

De maneira muito sutil, o artigo sugere que seria mais bacana se Beyoncé tivesse respondido equilibrando suas conquistas profissionais com a maternidade e se espanta com o fato de mulheres tão poderosas reproduzirem um discurso de que é na maternidade onde acontece a grande virada femina, que essa é uma idéa que nos foi imputada de forma tão forte, que levamos para a vida, sem muito refletir sobre ela.

Eu li aquilo e fiquei como a Glória Pires, sem saber opinar. Conversei um pouco com Pedro, mandei email para duas amigas queridas (e inteligentes) e claro, resolvi escrever um texto. Vai que alguém me diz algo interessante que me tire desse limbo feminista no qual me encontro…

Óbvio que a matéria me pegou de jeito porque, sim, a maternidade se tornou a minha grande conquista. Eu me transformei com a chegada das crianças, me revi e estou num processo intenso de mudanças, inclusive profissional (novamente). Larguei tudo para ser mãe e hoje me dedico quase integralmente a eles. Depois de muito me angustiar com esse fato, percebi que ser mãe é o que eu faço de melhor e, calma, não estou dizendo que sou a melhor mãe, não é isso. Mas descobri o que maternar significa pra mim. Entendi que tem a ver com o colo, com ouvir, com abraçar e, cara: eu SEI fazer isso.

Mas será que esse sentimento é meu ou me foi dado e eu aceitei por ser o esperado para as mulheres? Será que eu posso ser genuinamente feliz e completa através da maternidade ou eu preciso ter realizações profissionais para equilibrar a balança? Será que criar pessoas bacanas, num ambiente de amor e dedicação, não é digno de merecimento, de admiração? Ou para isso é preciso estar dentro de uma corporação, ter um cargo incrível e viver a angústia da maternidade ausente?

Entendo o quanto é machista a quase obrigação feminina de casar e ter filhos, como se isso validasse o papel da mulher na sociedade. Não, esse não é o único caminho da felicidade, aliás, em muitos casos está mais perto da infelicidade, porque ter filho não é fácil. Mas para aquelas que encaram a maternidade de peito e coração aberto, porque essa pressão para dar conta de tudo (carreira, educação, presença, casamento?). 

Não sei. De verdade.

O que sei é que valorizo demais as conquistas femininas e sou absolutamente solidária as questões do movimento. Não quero parecer uma idiota questionando o feminismo, novamente, não é essa a questão. Acho a dúvida um excelente caminho de crescimento e amadurecimento e aqui está a minha, exposta. 

Alguém me ajuda?

#nodramamom

 

Minhas meninas

Estava na padaria com as meninas e Teresa brincava de levantar o vestido e cobrir a cabeça. Um moço, vendo a cena, olhou para ela e disse: "você é uma menina bonita, não pode ficar levantando o vestido".

Ele tinha a melhor das intenções e isso estava claro. Por isso, não quis combater. Apenas acelerei o processo e saí. Mas aquilo me incomodou profundamente. Não tem nada de errado em uma criança levantar o vestido. Ou tem? Fiquei pensando nisso, até que me chegou um post de uma mãe que não conheço, relatando que a filha de 4 anos estava indo com ela para a escola (vestida, obviamente) quando um senhor, um vizinho, olhou para a mãe e comentou que a garotinha tinha pernas muito bonitas.

Na mudança de cidade, deixamos para trás um belo quintal. Trocamos por uma praça linda, que fica a 10 passos de casa. Para as pequenas, elas continuam tendo um quintal, só que muito maior agora. E mesmo que eu insista em colocar uma roupa para descer, a primeira coisa que elas fazem ao botar o pé na areia, é tirá-la para brincar de calcinha.

Acontece que eu não posso achar que é errado elas quererem brincar de calcinha. Não posso ensinar a minhas filhas que elas não podem se vestir do jeito que elas bem entendem. Não posso perpetuar o pensamento de que (boas) meninas são comportadas e se vestem de maneira “adequada”, para não chamar atenção. Isso está errado.

Fiquei bem atordoada com tudo isso e só lembrei da campanha #meuprimeiroassedio das incríveis mulheres do @thinkolga. Não sei o quanto vou conseguir proteger minhas meninas de todo esse horror que é ser assediada, mas posso me comprometer a estar perto delas (durante a infância) e formá-las mulheres fortes e seguras para combater qualquer tipo de violência que puder acontecer. Elas precisam entender que a culpa jamais será delas. #nodramamom

Teresa parou de mamar

Teresa parou de mamar. Assim, sem claquete.

Na mesma semana que Irene fez cocô na privada, Teresa chegou à conclusão de que não precisava mais do peito, que já não apresentava uma fartura de leite.

- Cabou o mamá, mãe. Só tem um pouquinho.

Eu não podia discordar. Fazia tempo que o peito era um chameguinho, um carinho, que eu não negava. Mas leite, leite mesmo jorrando, não tinha. Quando ela fez um ano e meio, passei a oferecer a mamadeira a noite, para ver se melhorava o sono dela e o meu. Ela parou de acordar 4 vezes e passou a acordar só uma (Yes!). Estava feliz demais de ter amamentado por tanto tempo e ADORAVA dar de mamar. Deixar o peito seria um passo natural, mas não imaginei que ela resolveria a questão de forma tão racional e tranquila. Dois dias depois ela pediu para ver o peito e dar um beijo. Assim foi. Três dias depois ela pediu para mamar, eu ofereci e ela não quis.

Para completar o cenário, ela passou a tirar a fralda da noite. Antes dos dois anos, ela já não deixava eu colocar a fralda durante o dia e ficava sempre pelada. Fazia xixi na grama do quintal (uma vantagem incrível de morar em casa) e cocô também. Até hoje ela não pode ver uma grama que pede para fazer xixi, mas eu já estou domesticando, digo, educando ela para usar o banheiro com mais propriedade.

Resumo da ópera: em uma semana eu deixei de comprar fralda e parei de dar o peito. Além disso, nos mudamos mais uma vez e encaramos uma nova escola.  Pois, é, minhas amigas, algumas semanas são mesmo avassaladoras. Mas sabe o qua acontece: a gente sobrevive a elas. Ainda estou processando todas as informações e o fato de que minha bebê não é mais exatamente uma bebê (notem a minha dificuldade em encarar a realidade). Um lado meu está vibrando com tudo que vem pela frente e outro está sofrendo. Um luto bonito, mas doloroso.

No fundo, no fundo, tem a ver com retomar o meu lugar como mulher, como profissional. Me encarar novamente e enfrentar a sombra dessa nova Luanda, depois dos filhos. Estou ansiosa com isso e cheia de planos. #nodramamom

 

 

 

O caso do cocô

Ter mais de um filho permite que você vivencie ao mesmo tempo, vários ciclos e ritos de passagem, sem achar que você é coisa mais importante do mundo, já que é humanamente impossível dar conta de tudo. É uma oportunidade de observar o ritmo de cada criança, sem interferir tanto e praticar o respeito ao outro, mesmo que esse outro tenha apenas 3 anos (risos). Semana passada, enquanto desempacotava mudança, fazia adaptação na escola nova, cuidava da pintura do apartamento novo, ligava para o moço da NET e espantava os gatos da minha sogra, tive que encarar dois momentos muito especiais das minhas filhas. Cada uma delas enfrentava desafios importantes e eu, fui convidada a observar, já que não era possível fazer outra coisa. Hoje conto o da Irene.

Irene, com 3 anos, não fazia cocô na privada. Nem no penico e nem em lugar nenhum. O negócio dela era a fralda. Sempre que batia a vontade, ela pedia a fralda. No começo, achei que era parte do processo dela de desfralde e que logo conseguiria fazer o número 2 sozinha. Mas isso não aconteceu e demorou quase um ano e meio até ela se sentir segura e à vontade para sentar na privada. Tentei conversar, argumentar. Queria saber o motivo daquela fralda e ela dizia: eu não gosto da privada.

Somos todas terapeutizadas, mas a verdade é que lidar com as dificuldades dos filhos não é fácil. Quando algo não sai como  “esperado”, ficamos tentando entender as razões e claro, queremos soluções. O cocô na fralda de Irene me incomodava e eu queria muito que ela conseguisse passar daquela fase. Nesse meu querer, claro que a pressionei. Ocilava entre o “ta tudo bem” e o “será que tem alguma coisa errada?” semana sim, semana não. O pediatra dizia para eu não me preocupar e sempre que o assunto me irritava, lembrava de suas palavras. Corta.

Dia da mudança chegar, muitas caixas e uma bagunça generalizada. Eu estou só com as meninas no apartamento e bate a vontade de fazer cocô. Não tenho fralda comigo, claro. Irene vem, pede a fralda, chora, diz que está com vontade. Eu sento com ela, dou colo, abraço forte e digo que ela pode fazer o cocô dela onde ela quiser, mas que agora, ali, não tem fralda. Ela olha pra mim e diz que vai na privada. Lembra de uma promessa feita lá trás, onde eu trocava uma cocô na privada por uma fantasia nova e pergunta se ainda está valendo. Eu digo que sim, claro! Coloco ela no vaso e fico agachada, junto dela, segurando sua mão. Sem muito esforço, ela consegue. Eu fico sem acreditar e choro abraçada com ela, que também está super orgulhosa de ter conseguido. Ela fez cocô na privada!! E quis fazer vídeo para contar para todo mundo da família e mandar pelo whatsapp. E chamou Teresa para ver, que vibrou pela conquista da irmã e tem feito isso desde então, todos os dias.

Desfralde é coisa séria e o segredo é respeitar o tempo de cada criança. Não existe idade certa, o que existe é um ser humanozinho em constante aprendizado e uma mãe tentando aprender junto. Nesse processo e em tantos outros da vida dos nossos filhos, a gente erra mesmo, mas se existe amor envolvido, as dificuldades não necessariamente se transformam em traumas, elas podem passar e ser superadas. Bom, pelo menos é isso que digo para mim, quando acho que pisei muito na bola com meus filhos. Por que a verdade é que toda mãe pisa na bola. Mas sigamos em frente, sem maiores dramas. #nodramamom

Piloto, músico, jogador, filósofo.

O facebook me lembrou hoje que João já teve outras obsessões além de futebol. Houve um tempo, não muito distante, em que meu menino só queria saber de carros. Tudo começou antes dos dois anos. Ele parecia aquelas crianças que vão no Raul Gil e ficam falando coisas que adultos falariam. Ele sabia o nome de todos os carros e suas respectivas marcas. Era engraçado e a gente, claro, se amostrava bastante:

– Que carro é esse filho? 

– Um Gol, da Volkswagen.

Quando ele descobriu o McQueen e sua turma, o mundo se transformou em uma grande pista de corrida. Ele amava o desenho e seus personagens. Lembro que fiz uma viagem e trouxe tudo o que existia de Carros. Irene estava perto de nascer e aquele impulso consumista era claramente um grande sentimento de culpa. 

O tempo passou e vieram outras modas. Teve a época da música é essa foi a mais incrível. Ele tinha dois anos e seu DVD preferido era Eric Clapton. Juro. Era demais. Vivia com uma guitarra pendurada no pescoço e transformava tudo em bateria. Acelerando a linha do tempo, veio a copa do mundo e plim, João descobriu o futebol. 

Do alto dos seus sete anos, ele conversa sobre contratações europeias, desempenho dos jogadores de todos os times, profissionalismo dos técnicos de futebol. Assiste com muita atenção aos programas jornalísticos sobre o tema e já tem traçada a sua carreira profissional: será jogador e quando se aposentar, técnico ou comentarista. 

Eu observo tudo com atenção. Ora com muita paciência, ora sem paciência nenhuma (vamos combinar que futebol 100% do tempo cansa). Ouço sobre as novidades dos times e lances incríveis, segundo ele. 

Depois de mais de um ano do fim da copa do mundo, começo a achar que essa obsessão está indo longe demais e talvez, seja uma dessas coisas que veio para ficar. Será? Com criança não dá para saber e com João, muito menos. Ontem ele teve a primeira aula de filosofia e adorou. Disse que de tanto que ele pergunta, já é praticamente um filósofo. Vai vendo. #nodramamom

Juliana

Oi Juliana, como estão as coisas? Que loucura tudo isso, né? Esse tribunal do Facebook é insano e nos arrasta para um lugar onde as pessoas mostram seus piores lados. Como se já não bastassem todas as loucuras que você vem passando nos últimos meses, no último ano. 

Esse negócio de maternidade é um precipício do qual se pula todos os dias. Todos os dias a gente morre um pouquinho. Não, ninguém nos conta que vai ser assim, porque não é uma regra. Acredite se puder, mas tem gente que tira tudo isso de letra. Mas é como se a gente deixasse a mulher de antes para trás e fosse, aos poucos, renascendo de um outro jeito. Pode ser doloroso e solitário. O foda é que tristeza não ajuda a vender fralda, então se estabeleceu que esses sentimentos tão reais e tão intensos, devem ser banidos, varridos para debaixo da nossa pele. 

Queria te dizer para respirar fundo, porque vai ficar tudo bem. Mesmo. O tempo é o grande senhor de tudo e arrasta para bem longe aquilo que queremos esquecer. Além disso, o tempo é sábio. Faz ficar em nossos corações só as melhores lembranças. Não sou expert no assunto nem nada, mas sou mãe de três e por isso quis te escrever. Na verdade, queria era te dar um abraço apertado e dizer que você é um mulher de coragem e deve ser uma mãe bacana. Bom, qualquer coisa, estou por aqui e se precisar, é só chamar. Um beijo enorme, Lua.

Ta sobrando? Tira

Li essa semana que uma escola na Noruega retirou das salas de aula dos pequenos, todos os brinquedos, deixando apenas caixas, latas e claro, as incríveis instalações da própria escola. A idéia era incentivar as crianças a usarem mais a propria criatividade e claro que a experiência deu super certo. Fiquei com isso na cabeça e decidi que estava na hora de dar uma geral nos brinquedos das meninas. Sentamos juntas e fomos escolhendo o que saia e o que ficava, tendo como guia apenas uma variável: brinca ou não brinca com esse brinquedo?

 

Tanto Irene quanto Teresa entenderam que tinham muito mais coisas nos baldes do que elas precisavam e que seria ótimo conseguir achar todos os brinquedos queridos, sem precisar perder tanto tempo procurando. Além disso, elas adoraram a idéia de que oa brinquedos não seriam jogados fora e sim, passados à diante.

Ainda tem muita coisa, eu sei, mas esse processo tem outro tamanho para as crianças. O mais importante, é fazer com elas entendam o valor de desapegar, de passar adiante o que não usam e de curtir muito o que se tem. Na era dos exageros, manter o pé das crianças no chão é missão quase impossível, mas eu sigo tentando. #nodramamom

Abraço

Você não está sozinha. Por mais que mães não falem sobre determinados assuntos, acredite: o seu problema é também o problema de uma outra mãe. Pode ser coisa simples, como noites insones. Pode ser coisa séria de verdade como uma síndrome rara. Pode ser algo doído e muito pessoal, como a solidão de uma maternagem solo ou ainda a falta de sexo no casamento depois da chegada do bebê. Pode ser a falta de grana ou a certeza diária que você não vai dar conta. Pode ser o cansaço e a falta de paciência com as crianças. Pode ser a dificuldade em lidar com as birras ou as obsessões do seu filho. Podem ser tantas coisas... E nessas horas, de quase desespero, de choros no banheiro, acredite: você não está só. Por mais que nenhuma mãe ao seu redor demonstre uma fraqueza como a que você está sentido, ela está sentido outra, que você nem imagina. E é por isso que a gente precisa ser mais solidária umas com as outras. É por isso que é fundamental olhar no olho, perguntar se está tudo bem e abrir o coração para o que vem. Ouvir. É sobre não julgar e não querer impor opiniões. É sobre abraçar e cuidar um pouco. É sobre ser mãe o tempo todo, com os seus e com as outras. Vamos tentar? #nodramamom

Tribo

Existe um ditado africano que diz que é preciso uma tribo inteira para cuidar de uma criança. Quando se tem filho perto da família maior e é possível contar com o apoio de pai, mãe, sogra, tios e irmãs, essa frase talvez não faça tanto sentido, porque você não pensa sobre essa incrível rede de afeto que existe tão naturalmente. Aquelas pessoas estão ali, dispostas a ajudar, doando seu tempo e seu amor para a criança que acabou de chegar e para a mãe que acabou de nascer.

Não ter essas pessoas por perto torna tudo muito mais duro e difícil, afinal, é preciso uma vila inteira para cuidar de uma criança. Mas veja só, que ironia do destino: consegui formar a minha vila, no meio da selva paulistana. Cheguei sem conhecer ninguém na cidade, tive meus filhos e aos poucos, fui encontrando outras mães. As crianças foram para a escola e lá existia uma extensão de casa. Fiz amigos. Criei laços. Aí teve a internet, esse monstro da exposição e sua desconhecida generosidade. Pessoas dispostas a trocar, a cuidar, a se doar. Por mim, para mim, para meus filhos. Outros adultos que cativaram minhas crias e são referências para elas, lugares seguros. Pousos.

Mas eu não sabia da importância disso. Não entendia o quanto precisava desse rede, dessas pessoas. Não dimensionava a relevância dessa troca para as crianças e também para mim. Estar em grupo, em bando, em tribo, é fundamental para poder ser mãe em sua plenitude. E isso significa apenas poder contar com outras pessoas. Significa ter outros pares além do seu par.

Fomos para uma cidade menor em busca de outras coisas que julgávamos mais relevantes: espaço, tempo, calma. E lá estavam todas essas coisas, mas agora não tínhamos mais a nossa rede. Estamos sós e assim nos sentimos. Mas a vida é muito sensacional e sempre se encarrega de colocar tudo no lugar, ensinando que é preciso paciência.

Uma rede se tece. Com muito amor e dedicação. Minha rede real está em São Paulo e eu serei sempre grata por cada uma das pessoas que fazem essa rede ser incrível, mas existe uma rede virtual muito linda sendo construída dia a dia através do instagram, através do facebook e até por email. Essa é a grande vantagem de se mostrar verdadeiramente. Aliás, uma das únicas, eu diria. Então, que bom que você esta lendo esse texto, Saiba que você é importante para mim, para que eu continue aqui, firme e forte. E obrigada pela troca intensa de sempre. #nodramamom