Trabalho

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Tenho 10 anos de internet (quem aí é dessa época? Blog Amei! <3) e nesse tempo, fui encontrando o meu jeito de expor, de dividir, de contar histórias e também de trabalhar. Já fiz publicidade, já recebi jabá e hoje ainda chega aqui e ali um presente para mim ou para as crianças. É gostoso, divertido e muitas vezes surpreendente. Mas o Instagram não é o meu lugar de trabalho. Por aqui, vocês conseguem ver uma fração do meu dia e de algumas coisas que faço, mas tenho percebido, cada vez com mais clareza, que esse quadradinho me serve para outras coisas. Serve para que vocês leiam meus textos, se identifiquem, se aproximem, mandem direct, falem comigo. Serve para vocês verem que não estamos sós em nossas batalhas e que filhos são a parada mais louca e difícil do planeta. Serve para que eu fale do que eu faço. Mas trabalho mesmo é do lado de fora, quando reúno mães, pais e profissionais que lidam com crianças e falo sobre parentalidade. Trabalho é quando subo em um palco para falar com pessoas, contar minha trajetória e minhas crenças. Trabalho acontece quando atendo uma família online e mesmo virtualmente a gente consegue ver juntos, caminhos mais leves e equilibrados. Isso aqui é só uma fração, ora com filtros, ora não.

 

(im)Perfeita

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Eu não quero te ensinar a dar limites a seus filhos. Quero te questionar sobre quais são os seus limites e suas crenças. Eu não quero te dar ferramentas para acabar com birra do seu filho, mas quero falar sobre como você se sente quando perde o controle. Eu não tenho receita de sucesso para criar filhos felizes, mas quero conversar com você sobre o que te deixa feliz e como você vai ensinar isso aos seus.

Cada família tem uma dinâmica própria e cada criança é um ser único. Sério mesmo que você acredita que as respostas para os seus problemas serão resolvidos em 5 passos? Não serão. Aquele livro incrível e super recomendado, a guru da montanha, a coach de mães (acho esse termo engraçado) e a própria disciplina disciplina positiva, são apenas ferramentas, caminhos. Entendo que muitas vezes precisamos de alguém que pegue na nossa mão e nos oriente, eu inclusive, estou aqui para isso <3, mas nada muda se a gente não muda. A tal da transformação, só acontece quando a gente se permite. Quando a gente troca a culpa pela responsabilidade, quando a gente se dedica, quando a gente se questiona. E sabe o que é mais louco disso tudo? É que ainda assim, não há garantias. Você precisa fazer ou buscar essa mudança, por você, mesmo diante da possibilidade da imperfeição: a sua e a de seu filho.

A garantia é você.

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A promessa de uma vida leve, onde pássaros nos despertam pela manhã, saudamos o sol com ássanas de yoga, tomamos um café da manhã com a dose certa de caboidratos e frutas da estação, nos sentimos motivadas apenas pela presença do sol lá fora e os desafios são sempre resolvidos com muito diálogo só existe no instagram ao lado. A vida real é caótica, é dura e nos faz, o tempo todo, questionar nossas mais profundas certezas. Quando temos filhos, a situação complica um "cadinho" mais por uma simples questão matemática: se cuidar de um é difícil, cuidar de dois não poderia ser mais fácil, correto? No entanto, atenção para algo importante: pais e mães não são pessoas melhores por encararem esse desafio. Até porque, em muitos casos, nos tornamos nossa pior versão diante de seres tão pequenos ao jogarmos neles nossas frustrações e incapacidades. E é aí onde eu quero chegar.

Crianças são a ponta mais frágil da relação. Sempre. A hierarquia da vida nos coloca numa posição de destaque, é verdade, mas a conquista do respeito, da cooperação e a criação de vínculo com essa ponta frágil, precisa ser estabelecida de uma outra forma, que não através do grito, da imposição, do castigo, porque (atenção, contém spoiler), isso não funciona. E você que está lendo isso e já se arma para me dizer que "você recebeu castigo e palmada e está aqui, tranquilo vivendo a sua vida", eu te devolvo: é essa a relação que você quer ter com seu filho? A gente precisa se melhorar como gente e o melhor jeito, o mais eficiente, vai ser através das nossas crianças. #parentalidadepositiva #equilibrioparental

 

Dicas práticas para uma vida caótica

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Na era da felicidade a qualquer preço, nossos lutos, dores e tristezas não cabem em lugar nenhum, nem mesmo dentro da gente. Não pode sofrer. Não pode chorar. É preciso ter ideias brilhantes e acima de tudo, ter coragem.

A sua felicidade depende de você. Mas a felicidade do seu filho também. E a capacidade dele ser um adulto exemplar, claro que está na sua conta. Se a sua mãe estiver doente, se seu marido for um bosta, se o seu trabalho não for exatamente o que você queria, se você não tem dinheiro, se você não tem um parceiro, tudo, absolutamente tudo, parece ser inteiramente de sua responsabilidade.

Desculpem, mas assim não tem quem aguente.

Claro que vamos assumindo culpas alheias com a mesma facilidade que pagamos academia e faltamos, mas calma lá. São muitos processos, muitos passos a serem dados para a tal vida mais leve. E se você está se sentindo sufocada, eu te digo: tá tudo bem se sentir assim, sabe por que? Porque tá foda mesmo. Tá foda para todo mundo.

Mas e aí? Diante dessa bagunça emocional, dessa descrença geral, por onde (re) começar?

Não sou coach da vida alheia e nem especialista em sofrimento humano, mas estou aqui, assim como você, numa tentativa árdua para levar uma vida com mais sentido. E nessa minha busca, algumas coisas foram e são muito importantes. E a primeira delas é simples como brisa.

Respire. Longamente, sem pressa. Respire mais uma vez. Respirar da forma correta permite que o corpo entenda que não está em perigo e isso faz com que as ideias fiquem mais claras.

A segunda coisa é sobre nossa capacidade de pensar coisas ruins. Inverta essa energia e entenda que te toma o mesmo tempo se você decidir pensar algo bom. Quando sua cabeça começar a dar passos galopantes em direção a desgraças e fatalidades, pare, respire e recomece a pensar coisas boas. "E se der certo?" é algo poderoso.

A terceira e última coisa é sobre suas culpas. Não dá para assumir responsabilidade por todos que te cercam. Escolha pelo que você vai sofrer e observe a real dimensão que esse sentimento tem.

Tá, mas o que isso tem a ver com criação de filhos e disciplina positiva, assunto desse instagram aqui? Tem tudo a ver. Nós precisamos buscar o nosso equilibrio antes de querer que nossos filhos tenham um comportamento sencaional. Nós precisamos entender que sentir faz parte de ser e que se a gente não se autoriza a isso, vamos calar também nossos filhos. Amor com a gente primeiro para depois amar os nossos.

Para (re) começar

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A maternidade é um troço tão poderoso e forte e transformador que muitas vezes arrasta a mulher para um lugar desconhecido. É um estágio de não pertencimento em um momento da vida onde tudo está meio caótico, bagunçado emocionalmente, nublado visualmente. Não somos mais a de antes mas também não sabemos quem desejamos ser. Entamos em simbiose com o bebê, mergulhamos em questões ancestrais, nos perdemos do nosso fio condutor.

Até que um determinado dia, depois de dar de mamar ou depois de mais uma noite sem dormir, a gente olha pela janela e percebe que não está faltando um braço, não está faltando uma perna e que, apesar de tudo, você continua respirando. A nuvem espessa vai se despedindo e os pés voltam a tocar o chão. Você se sente levemente mais segura. É o puerpério chegando ao fim.

Dessa fase você vai lembrar de poucas coisas e eu tenho certeza que se não fosse essa amnésia, a espécie humana não teria chegado até aqui. Mas algumas coisas ainda podem te acompanhar por um tempo. Essa confusão sobre quem sou eu e para onde eu vou por vezes se demoram. O trabalho já não faz mais tanto sentido, os amigos já não fazem mais tanto sentido e as vezes até o casamento já não faz mais tanto sentido. Vem uma necessidade enorme de se reiventar, re-escrever a sua propria história, mas não sabemos nem por onde começar. Eu sei. Já estive nesse lugar. E hoje, pensando sobre meu caminho profissional e minha reinveinção, percebo que quando a gente não sabe o que fazer, o melhor é começar com as nossas certezas, com aquilo que a gente sabe que faz bem, com aquilo que nos fortalece.

A vida como ela é (para mim)

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Como educadora parental eu sinto a responsabilidade de viver aquilo que levo para as minhas reflexões com outros pais no meu trabalho. Sou mãe de quatro crianças e isso, apesar de lindo, inspirador e corajoso (como sempre ouço), é também algo muito próximo do inferno, dependendo do dia. E dependendo do dia deles e do meu, claro. O que me dá 4 chances de quase enlouquecer, fora as combinações de (mau) humor, que parecem uma PG.

E cada vez que as coisas saem do roteiro e a gente se perde entre gritos e brigas, minha cabeça, automaticamente, me para. E por mais exausta que eu esteja, eu busco reorganizar minhas emoções para ajudar as crianças nesse mesmo processo. É intenso.

Tem dias que parece efeito cascata: um começa, aí o outro emenda e quando você acha que está acabando, vem o terceiro e lá vamos nós outra vez entre explicações, conversas, olho no olho, diálogo e claro, um grito ou outro, porque longe de mim, querer ser perfeita. Não é fácil. Mas é o meu caminho. São os meus filhos. E se eu não buscar me melhorar, como posso exigir isso deles? João, Irene, Teresa e Joaquim são pessoas. Indivíduos em formação. Eles são imperfeitos. E o grande barato de ser pai e mãe está justamente em pode exercer a tolerância com o outro, que muitas vezes é diferente de mim, todos os dias, a qualquer instante. No final, entendo, cada vez de forma mais clara, que não é sobre controlar birras ou exigir bom comportamento. É sobre respeitar o tempo das crianças e ir mostrando a direção com muito amor e paciência.

Não tem receita

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Não tem para vender, não dá para pegar, não sabemos a sua cor, muito menos sua forma. Não é lugar aonde se chega, não é rede para deitar, não é o outro. Não tem a ver com dinheiro ou trabalho. Nem filhos. Esse Santo Graal, essa cabeça de bacalhau, não está embalada com uma fita preta na prateleira da farmácia e nem no pote reluzente de purpurina do carnaval. Por isso e só por isso, a gente precisa parar de procurar essa danada. Precisa parar de acreditar que vamos trombar com ela na próxima esquina, basta chegar até essa bendita esquina que nunca chega. Precisamos parar de imaginar como seria quando a gente encontrá-la e viver para alimentar esse momento impossível.

Ela é um tempo. Um piscar de olho. É aqui e agora, é o que temos para hoje, amanhã e depois. A sua não forma nos permite desenhá-la do jeito que quisermos. Por falar nisso, você já desenhou hoje? Vai lá, faz uns rabiscos junto com seu filho depois do trabalho. Tenho certeza que ela vai estar lá nesse pequeno instante.

Felicidade é caminho. É horizonte. Felicidade é música alta ou música baixa, dependendo do seu humor. Humor? Não, você não precisa estar sempre bem humorado para estar feliz! Felicidade é bolo quente e café preto. É um audio que te faz gargalhar, é fazer plano e transformar em meta ou é só sonhar mesmo, que para os dias de hoje, já está de bom tamanho. Felicidade é junto ou sozinho, é grande ou pequena. É nada, é simples. Quem complica somos nós.

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O relógio de dentro e aquilo que não se explica

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O mergulho muitas vezes é tão profundo, que voltar a superfície demora. Demora reencontra-se, demorar fazer sentindo novamente. Sem se dar conta, abrimos mão da nossa identidade e vivemos para nutrir um outro ser. Já não somos mais a de antes e nem temos o agora para ser outra. Vivemos em um tempo paralelo. É difícil de explicar. Porque falando assim, não é exatamente um lugar de conforto, pelo contrário! Existe um desconforto constante, com o qual nos acostumamos, por acreditar que é assim que deve ser. A maternidade é algo revolucionário, transformador mas pode ser profudamente doloroso.

Acontece que tudo na vida é fluido, passageiro, é água corrente. A gente se despende de quem éramos antes para nos (re) conhecermos fortaleza mais adiante. Nada é tão poderoso quanto uma mãe. E se você está nesse momento de desconexão profunda com quem você era, com a vida que você tinha, eu te digo: tenha paciência. A gente é capaz de reescrever nossa história, se reinventar, mas não adianta querer apressar o relógio de dentro. Tudo tem seu tempo. É importante olhar para os ciclos e perceber cada ensinamento escondido por trás de um bebê que sempre pede colo, uma relação entre mãe e filha que ficou fragilizada, um emprego que já não te preenche. As transformações começam dentro e é desse lugar que a gente tira forças, mas por hora, apenas lembre de respirar.

Sobre florescer

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Durante muito tempo (até ontem, na verdade), sempre que alguém me perguntava quais eram meus sonhos, eu respondia algo diretamente relacionando aos meus filhos. Era difícil pensar naquilo que era só meu, mesmo que fosse um sonho. Eu fechava os olhos e logo me vinha à cabeça cenas deles grandes, felizes, realizados, saudáveis. Não havia dissociação entre a minha pessoa e a deles e isso não me causava sofrimento ou angústias. Era algo absolutamente natural pensar assim.

Mas aí, veio o quarto filho. Mais uma gestação, mais um mergulho para dentro. E nessa de mergulhar e me olhar com muita verdade, eu percebi que era hora de me resgatar. A urgência em voltar meu olhar para as minhas necessidades veio junto com Joaquim. Ou eu me colocava em primeiro lugar ou eu afundaria. Era preciso diminuir a culpa, abraçar meus sonhos e trilhar meu caminho para além dos meus filhos. E mesmo diante de 4 crianças e o cenário de caos que isso pode trazer, eu comecei a me movimentar, comecei a abrir mão de estar.

Para mães mais apegadas (oi, tudo bem?) encontrar algo que faça os olhos brilharem tanto quanto ver filho criado é difícil, mas eu precisava deixar ir esse sentimento de que eu seria sempre o que meus filhos precisam. Não serei. Mas desejo ser o lugar, o colo para onde meus filhos desejem sempre voltar.

Conselho

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Se você é mãe ou vai ser, preste atenção ao que eu vou dizer: tenha uma rede de apoio. Mas calma. Esse item não está nas listas de enxoval e nem pode ser encontrada na Alô Bebê. Ele também não aparece num passe de mágica depois que o bebê nasce. Esse item é você quem faz. Com mãos, coração, entrega, confiança. Rede de apoio se tece, é preciso construir, nutrir, cuidar para ser cuidada.

Às vezes, a rede de apoio é pequena, feita de por uma pessoa só. Um marido, uma amiga, uma avó, uma vizinha. É alguém que está presente em pequenos ou grandes detalhes. Lava uma louça, deixa um bolo na portaria, passa um café quentinho.

Às vezes a rede de apoio é virtual e mesmo não conseguido olhar o bebê enquanto você faz cocô sossegada, você pode desabafar e perceber que não está tão só assim. É confortante encontrar voz para suas angústias, mesmo que do outro lado da tela.

Às vezes a rede de apoio é forte, presente, composta de várias mulheres diferentes, com histórias diferentes, maternagens diferentes, mas que em algum ponto vocês são tão parecidas e isso é tão lindo.

A rede de apoio não tem manual sobre como deve agir, quantos integrantes deve ter ou por quanto tempo deve durar. A única coisa certa sobre esse item fundamental da maternidade é que ele precisa ser feito de amor e dedicação. Você é rede de apoio quando você dedica um pouco do seu tempo, do seu colo, do seu olhar ou seus ouvidos para uma outra mãe, sem esperar nada em troca. É bonito, forte e transformador ser mãe ao lado de outras mulheres. Seja rede, tenha rede.

 

Para dentro

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Tenho falado muito sobre autocuidado e a importância da gente se olhar com carinho, com amor, mas sei que esse exercício não é exatamente simples e se hoje eu consigo ter meu tempo é uma conquista. Não é simples por dois motivos. O primeiro é a nossa capacidade de sabotar qualquer coisa que a gente faça para a gente mesma. Nunca temos tempo e nem dinheiro para fazer nada que seja SÓ para gente mesma.

O segundo motivo são as expectativas. Não sei por que, mas quando falamos em autocuidado a nossa cabeça nos leva a desejar coisas impossíveis, distantes ou difíceis diante de uma rotina de trabalho ou de cuidados com os filhos: meditar sob o céu do Atacama, vinho com as amigas todas as noites, viagem com o marido uma vez por mês, uma noite inteira de sono...poder fazer tudo isso é uma delícia e obviamente funciona como aquele momento só seu, mas se isso ainda está longe da sua realidade seja pelo motivo que for, saiba: ainda assim é possível se cuidar.

Quando você lembra de respirar fundo antes de um grito, ou diante de uma situação difícil, ou quando acorda, ou quando está angustiado, isso já é autocuidado. Quando a gente consegue rir de situações tensas, ouvir uma música boa, falar com uma amiga querida, isso já é autocuidado. Quando você entende que certas atitudes são tóxicas e precisam ser repensadas, quando você termina um livro, quando você come algo delicioso. Quando a gente toma um banho demorado, quando sente prazer sozinha ou acompanhada, isso também é autocuidado.

Então, para que a gente consiga apreciar esses pequenos grandes momentos de conexão e cuidado com a gente mesma, é importante colocar as expectativas nos lugares certos.  Não adianta ficar sofrendo porque não tem dinheiro para fazer a viagem dos sonhos e acreditando que tudo que você precisa é de um tempo longe, se você não pode se afastar. O que é possível de ser feito? O que vai te ajudar a recompor as energias? O que vai te trazer para o seu centro e aos poucos transformar o jeito como você se relaciona com as pessoas e com você mesma? Acredite: você tem as respostas e elas estão dentro de você.

Sobre Disciplina Positiva.

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Tenho recebido muitos emails de mães e pais me perguntando se a Disciplina Positiva funciona mesmo. E antes de responder eu sempre respiro fundo e tento observar o que tem por trás daquela pergunta. Estamos vivendo uma era onde a busca pelas curas está sendo comercializada em caixas, numa esquina próxima a você. Estamos, todos nós, buscando algo que nos falta, seja no trabalho, nas relações, no amor, no corpo. Procuramos alguma coisa ou alguém que nos indique o caminho da luz, a solução para os problemas, a estrada para uma vida feliz. Queremos dicas rápidas para ter paz e equilíbrio, mas diante da complexidade do que sentimos, desviamos o olhar para algo que seja menos profundo.

Sob essa perspectiva, daqueles que buscam algo que lhes falta para serem bons pais e boas mães, a Disciplina Positiva não é a resposta, não é o caminho e não vai funcionar. Mas se você acredita em trabalho duro, em respeito, em diálogo, pode ser que a Disciplina Positiva seja, sim, uma boa opção. Se você acredita que as respostas estão em você e não no seu filho, segura na mão e vamos juntos. Mas não acredite em fórmulas mágicas para nada. Não escolha o caminho mais simples.

Crianças precisam do nosso equilibrio emocional, do nosso amor incondicional. Precisam ser ouvidas e se sentirem importantes numa engrenagem familiar, seja ela qual for. Precisam ser ensinadas e ensinar é foda de difícil.

A Disciplina Positiva tem mais de 50 ferramentas que podem ajudar na construção dessa relação que é pautada em firmeza e gentileza, mas não adianta nada saber decorado as frases sugeridas pelo livro da Jane Nelsen, se você não tem a intenção de se tranformar para transformar essa relação. É sobre isso que tenho falado nos meus encontros. Sobre a criança que fomos, as escolhas que foram feitas por nós e como isso afeta os pais e as mães que somos. Não tem cura, tem cuidado.

A turma de Brasília está com as vagas esgotadas.

As duas turmas de São Paulo estão com as vagas esgotadas.

Em breve tem agenda com novas turmas.

E eu tô bem feliz com tanta gente querendo ouvir e ser ouvido sobre esse assunto. <3 #disciplinapositivanapratica


 

Pensamento positivo não enche barriga

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Você chegou até aqui. Tem filhos, morada, emprego. Tem amigos, tem companhia, tem uma conta no instagram onde você posta momentos mais ou menos felizes e mesmo assim, você sente uma inadequação, um vazio, uma solidão que parece te engolir. Tá, pode ser que seu emprego não seja dos mais legais, que sua conta não esteja exatamente em dia e que sua companhia não seja aquela que você sonhava. Mas você é valente e tem lido que é preciso respirar, que tudo vai passar, vai melhorar. Uma hora, tudo vai melhorar. Você não comenta essa “estranheza” com muitas pessoas, porque, afinal de contas, você tem tudo. Fica difícil entender do que você está reclamando. Mais uma vez, você respira fundo e tenta ter os tais pensamentos positivos sobre a vida, sobre as coisas ao seu redor. Tem dias mais fáceis outros mais difíceis. Tem horas em que você acredita que chegou ao seu limite mas para sua surpresa, no dia seguinte existe um recomeço, uma nova possibilidade. Não sei se você vai acreditar no que vou te dizer agora, mas presta atenção: você não está só.

A gente precisa aprender a perceber as coisas como processos.

Nada está pronto.

Nada vem gratuitamente.

Nada é exatamente simples ou fácil.

Esses sentimentos de inadequação, de achar que não vai dar conta, de se sentir sugada, soterrada por uma avalanche ou uma tromba d´água, ele passa. E vem a calmaria e aí, outra avalanche. São os ciclos naturais da vida. E a gente precisa aprender a viver em meio aos momentos de caos para lá na frente, apreciar a calmaria, ser grato verdadeiramente por coisas simples, delicadas, sem valor material. Tenho pensado muito sobre a importância de descobrir nossos gatilhos de prazer que só dependam de nós mesmas, porque essa pode ser uma ferramenta simples e eficaz para se colocar novamente nos trilhos, diante de situações ruins, de momentos complicados e solitários. Estou trabalhando nessa minha lista, mas ela com certeza, se abastece desses 4 seres aí da foto.

E a sua lista de prazeres? O que é que tira do torpor, te chama para levantar da cama, fazer diferente e recomeçar? Escreve e compartilha comigo?

 

 

Ser margem

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Tenho visto meu menino crescer a passos de gigante. João começa a desejar mais liberdade e encontra na cidade em que moramos, possibilidades reais de expandir seus limites. A bicicleta tem sido a estrela dessa temporada e a cada nova quadra explorada ele volta com um sorriso largo, feliz por sua pequena conquista. Em casa, cada passo é antecedido por uma conversa às claras sobre o que pode e o que não pode, até onde e porque.

João não se contenta com pouca explicação. Na verdade, ele não se contenta e tenta, sempre que vê uma brecha, me convencer do seu ponto de vista. Temos embates que duram o tempo de um pedido de desculpas (meu ou dele), um abraço apertado e um "eu te amo, mãe".

Sei que a brincadeira está apenas começando e que uma longa adolescência se anuncia, mas acredito que até aqui construimos uma relação de muita conexão, com escuta, acolhimento e respeito. Para a Disciplina Positiva, o limite é algo que margeia, sem impedir o fluxo, como num rio. Esse limite guia, orienta o percurso, mas não impede desse rio crescer e principalmente, escolher os caminhos por onde quer seguir. Crianças precisam dessa margem, porque rio que corre sem margem, transborda. E margem que impede o fluxo é barreira, ou seja, represa e faz o rio morrer.

Não é fácil e só de pensar dá vontade de fazer o tempo voltar para aquele momento em que o meu maior medo era nunca mais dormir. De fato, não dormirei. Já prometi que serei a mãe que vai buscar e levar na balada, porque ficar perto nunca é demais. Cresce, filho. Pode crescer. Vai doer em mim e em você, mas eu preciso estar pronta.

 

A gente briga, mas a gente se ama

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É claro que elas brigam. Você já viu algum irmão que não briga com o outro? Pode ter certeza que até os filhos da Gisele Budchen brigam. E sabe por que? Porque estamos o tempo todo dermarcando território, disputando poder, disputando atenção da mãe, do pai, dos amigos. Estamos nos entendendo como gente junto com um outro ou outros seres que dorme e acordam sob o mesmo teto. Isso não tem como ser fácil ou simples. Tenho certeza absoluta que se Buda tivesse irmãos, ele também iria, em algum momento, se envolver numa arenga.

Irmãos brigam. Posto isso, a gente precisa pensar quais são os nossos limites como pais, como adultos, antes de sair repetindo que "não pode brigar" porque eles vão brigar. Aqui em casa não pode bater. Não pode e ponto final. Quando bate, é porque o negócio ta feio e eles estão precisando de ajuda para resolver. Estão precisando que a gente chegue junto, converse, gaste tempo ali ao lado explicando, mostrando, ensinando que isso não pode e encorajando outro tipo de interação.

Quando eles se batem, todos nos machucamos. Quando eles se batem, todos ficamos magoados. Existe um limite, colocado por nós, que foi ultrapassado e eles percebem. Mas aos poucos eles vão fazendo menos, vão entedendo aquele código.

É preciso estar disposto e disponível para quebrar padrões de comportamento das crianças. É preciso ter paciência e muito amor para encarar certos ciclos dos pequenos. Mas ver eles conseguindo lidar com as emoções de um jeito mais saudável é uma conquista da família inteira e isso é lindo de ver. #disciplinapositivanapratica

 

Escrever para não esquecer

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Está em todos as palestras do TED, nos podcasts mais interessantes, em todos os livros de autoajuda: é preciso criar novos hábitos para mudar padrões e redefinir a energia que enviamos para o mundo, só assim, promoveremos uma mudança real em nossas vidas.
Certo. Dica anotada. E agora?
Agora vem a parte difícil.
Criar novos hábitos tem a ver com ruptura, com partir, deixar algo para trás. Nesse processo existem muitos passos a serem dados e não, querido guru, não se muda um hábito em apenas 21 dias.
Para 2018 eu tinha planejado planejar. Acreditei que era isso que estava faltando na minha vida e que eu não ia passar mais esse ano comendo mosca.
Hoje é dia 15 de janeiro e meu plano está falhando solenemente. Não tenho conseguido planejar a vida, os gastos, os compromissos como gostaria. E aí, a vontade que dar é de mandar tudo para o espaço e seguir sem planejamento nenhum mesmo, como sempre foi.
Ainda bem que eu me comprometi em ser mais gentil comigo esse ano, então, nada de auto sabotagem.
Perder o interesse em algo que não está dando certo é normal. Ter vontade de não seguir em frente com um plano ou uma ideia faz parte do processo de mudança. E aí, vale você ter muito claro a razão pela qual você escolheu mudar aquilo, fazer diferente. É isso que nos coloca de volta no jogo, nos move um pouco mais.
Planejar é importante para que eu consiga ter tempo para filhos, trabalho, estudo. Repetindo para eu não esquecer, escrevendo para lembrar de tentar um pouco mais. Respira. Volta. E segue o baile.

Quando a gente vira bicho

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Perdemos a cabeça de vez em quando. Gritamos, engolimos a vontade de chorar e seguimos, até o fim, numa clara luta pelo controle, pelo poder. Não cedemos, não lembramos de respirar e diante do caos instaurado, a gente consegue piorar as coisas, simplesmente por não calar.

É difícil admitir que erramos. É difícil bater em retirada. É difícil controlar a emoção e ceder espaço para a razão, mas nos piores momentos - brigas, birras, estresse - com as crianças, essa é a melhor alternativa.

Pois, é. Você, adulto, pai ou mãe, tem esse direito. O direito de dizer que está chateado, que está com raiva e que é preciso um tempo. Tem o direito (e o dever) de cuidar e amar tanto o seu filho, que consegue perceber quando o limite já foi ultrapassado há muito tempo e que está na hora de se recompor, se retirar.

Quando ficamos com raiva, acessamos o nosso cérebro reptiliano. Aquela parte bicho mesmo, onde as duas alternativas são: fugir ou lutar. É quando não pensamos, não sentimos. Estamos tão tomados por nossos instintos, que só nos interessa vencer.

Mas a gente sabe que nos conflitos com os filhos não têm essa de ganhar ou perder, né? Então, se autorizar a admitir o que você sente é muito importante e muito, muito transformador.

Vamos falar sobre esse e outros conceitos que a Disciplina Positiva traz no dia 3 de fevereiro, às 14 horas. Só restam 4 vagas! Vamos? Se você tem interesse, me manda um e-mail para luandabarros@gmail.com

Estou maravilhosa

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Comecei o ano me prometendo um detox. Queria ficar sem açúcar e pão por 30 dias. O objetivo? Dar uma secada para o carnaval, “limpar o organismo” dos excessos do fim de ano. 

Até que a gente foi nadar no lago e Pedro me fotografou. Quando eu me vi na tela, tomei um susto. Me achei magra. Me olhei por um outro ângulo, que não era o do espelho e fiquei pensando por que eu insistia em não achar aquele corpo bom, bonito. Que doença essa busca pelo corpo ideal! 

Entendi que precisava de um detox sim, mas de pensamentos. Entendi que não podia (e nem queria) cortar nada da minha dieta para secar. Eu precisava era cuidar de como eu me vejo. 

Auto-amor é um negócio difícil demais de praticar. Nunca estamos bem o suficiente. Tem sempre algo que podia ficar melhor, que podia ficar mais bacana, mais redondo, mais durinho. E eu não estou falando só de corpo. Lembrei da uma história de um amigo querido que muito jovem teve um câncer e enquanto lutava a sua batalha, perdeu a mãe para a mesma doença. Quando o encontrei perguntei como ele estava e ele me disse:

- Estou maravilhoso. 

Pah. Assim, bem na minha cara. 

Não dá pra gente sentir nada menos do que muito amor por quem a gente é. E se amando é que a gente se vê com olhos mais gentis, mais cuidadosos. 

Decidi ali, bem enfrente aquela minha imagem, que eu não queria mais me sentir devendo um corpo magro e empinado e que perfeito é ter o privilégio de botar filho no mundo e ver o tempo passar com saúde e amor. ️

O não manual

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Filhos são universos complexos e não demora a gente perceber que eles não são exatamente uma extensão de nós. Se é difícil equalizar os nossos desejos, vontades e dificuldades, imagina a de uma criatura que ainda não tem todas as ferramentas que nós adultos temos? Educar uma criança é um desafio gigante para o qual não somos preparados. Vamos fazendo tudo por tentativa e erro, repetindo padrões (nem sempre saudáveis), buscando na memória ou no esquecimento como reagir diante de determinadas situações. Muitas vezes, nos tornamos pais sem nem curar a criança que fomos e isso pode dificultar bastante as coisas.

Mesmo assim, a minha maternidade nunca foi adepta dos manuais. Li alguns poucos livros sobre o assunto e me vi tão mais angustiada do que antes, que achei por bem deixar para lá. Acredito que isso fez de mim uma mãe muito tranquila. Quando João nasceu, há nove anos, a internet era um campo menos explorado do que é hoje, então, não tinha ninguém cagando regra. Claro que isso não me privou de sentimentos como a solidão ou o medo, mas fui encarando tudo com muita serenidade, como parte do processo e sinto que o negócio fluiu. Até certo ponto.

Sou mãe de 4 crianças e seria pretensão demais acreditar que sempre saberei o que fazer. Não saberei. Mas muitas vezes as respostas para nossas dúvidas não estão exatamente em um manual e sim na troca. Foi isso que me levou até a Disciplina Positiva. A Disciplina Positiva é o não manual, porque ela não te dá fórmulas milagrosas e nem receitas de sucesso para educar crianças. Ela te propõe ferramentas para que dentro da individualidade de cada família, o principio nas relações seja sempre o respeito, o amor e a conexão.

Além disso, ao me formar pela Positive Discipline Association, eu não ganhei crachá de especialista em criação de filhos e de verdade, não acredito nisso. Sou uma facilitadora de conversas entre pais e mães dispostos a ouvir um pouco sobre a abordagem positiva e suas ferramentas e juntos desenhar caminhos de mudança com firmeza e gentileza.

No dia 3 de fevereiro início minha jornada como educadora parental. Se você é de Brasília e tem interesse em conhecer um pouco mais sobre esse pensamento, eu vou facilitar uma conversa entre pais e mães. Para maiores informações, você pode me mandar um e-mail: luandabarros@gmail.com

Feliz você nova

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Tá. Legal. Escrevi as minhas metas para 2018, mas e aí?

O que fazer para atingir metas de ano novo. Buscar.

Desculpem. Sejam fortes, mas essa o google não vai poder te responder.

Atingir metas é algo que demanda energia, exige mudança de hábito. Foco. É aquilo que não pode ser responsabilidade de mais ninguém, além de você mesma. E a gente só assume esse tipo de compromisso quando é algo que desejamos verdadeiramente. Então, antes de sair escrevendo na primeira página da agenda as suas metas para esse ano, pensa: o que você quer para a sua vida? Quais são seus sonhos? Aviso logo que ter clareza sobre essa resposta é muito mais difícil do que cumprir metas.

Desde que me tornei mãe, sentia uma dificuldade em responder essas perguntas. Sempre que pensava em sonho, em futuro, me vinham as crianças e a minha enorme vontade de vê-los crescer com saúde. Era como se não existisse a necessidade de pensar em mim. Mas 2017 foi um ano de me reencontrar, de me olhar novamente, de me resgatar. Uma jornada de autoconhecimento e muita reflexão que me fortaleceram e me permitiram voltar a ter vontades para além da culpa materna.

2018 se anuncia como ano de realizações e sabe por que? Porque depois de muito tempo, eu consegui me dar respostas francas. Consegui entender que caminhos percorrer para atingir as tais metas. Acolhi minhas fraquezas, iniciei um processo de mudança de hábitos que me trouxeram até esse ponto e que me impulsionaram para transformações reais. Vou contar mais sobre isso aqui pois acredito demais no poder do “eu também”. Então, se você está ai, meio sem saber por onde recomeçar esse ano, olhando para suas metas sem saber exatamente o que todas aquelas decisões querem dizer, vamos juntas, devagar e sempre.